Quem Somos

O Meliponário Rei da Mandaçaia é um empreendimento familiar especializado na criação, conservação e manejo de Abelhas Sociais Sem Ferrão de ocorrência natural no estado da Bahia, estamos a mais de 20 anos criando, multiplicando e contribuído para preservação destes pequenos magníficos animais. O nosso empreendimento é cadastrado no IBAMA CTF: 1681253, no Site é possível encontrar fotos da produção e muitas informações a cerca desta atividade, nosso meliponário principal está situado no Distrito de Hidrolândia - Uibaí e em Cruz das Almas no Recôncavo da Bahia.

Responsável Técnico: Engenheiro Agrônomo/Mestre em Ciências Agrárias, Márcio Pires de Oliveira / CREA/BA40051 Email: meliponarioreidamandacaia@hotmail.com


terça-feira, 18 de junho de 2019

Agroquímicos ameaçam abelhas sem ferrão

Depois de uma intensa mortandade de abelhas no início dos anos 2000, causada possivelmente pelo uso excessivo de inseticida no campo, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) convidou os biólogos Osmar Malaspina, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), de Rio Claro, e Roberta Nocelli, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), para aprofundar os estudos sobre a situação das abelhas no Brasil. Em 2017, o governo aprovou uma lei estabelecendo que os agrotóxicos a serem comercializados no Brasil devem passar por testes de avaliação de risco em abelhas Apis mellifera, espécie adotada internacionalmente nos testes dessa natureza, por viver em quase todo o mundo. No entanto, a mortalidade continuou. De dezembro de 2018 a fevereiro de 2019, o Rio Grande do Sul registrou 400 milhões de Apis mortas, Santa Catarina 50 milhões, Mato Grosso do Sul 45 milhões e São Paulo 5 milhões. Os inseticidas usados para matar pragas das plantações são uma das causas da redução das populações de abelhas no mundo, ao lado da diminuição das áreas de florestas e das mudanças climáticas (ver Pesquisa FAPESP no 271).

O grupo de trabalho criado pelo Ibama para avaliar o risco de agrotóxicos concluiu que era necessário incluir abelhas sem ferrão que fossem representativas das cerca de 350 espécies exclusivas do Brasil. 

 “Temos de criar metodologias de análise de toxicidade para as abelhas nativas para não fazer apenas testes com Apis antes de lançar um produto novo”, enfatiza Malaspina, coordenador do laboratório de pesquisa sobre ecotoxicologia de abelhas sociais do Instituto de Biociências da Unesp de Rio Claro.

 “Sugerimos que os métodos para avaliação de toxicidade durante o estágio imaturo de abelhas adotados para Apis para avaliação de risco não podem ser aplicados nas abelhas sem ferrão”, reitera a bióloga Annelise Rosa-Fontana, pesquisadora em estágio de pós-doutorado na Unesp em Rio Claro.

Em 2015, em um experimento de seu doutorado na Universidade de São Paulo (USP) em Ribeirão Preto, ela colocou doses diferentes de um inseticida bastante usado na agricultura, o tiametoxam, no alimento de larvas de uma espécie de abelha nativa sem ferrão, a canudo (Scaptotrigona depilis). 

 Sobreviveram apenas 40% das larvas tratadas com a dose mais alta de inseticida, enquanto no grupo controle, que não recebeu inseticida, sobreviveram 80%, como detalhado em um artigo publicado em 2016 na revista Apidologie.

Em 2018, ela participou de um estudo na Unesp realizado pela bióloga Adna Dorigo, que avaliou o efeito de dimetoato, usado como referência internacional em testes de toxicidade, na uruçu nordestina (Melipona scutellaris). Nesse trabalho, publicado em março de 2019 na revista científica PLOS One, a concentração letal capaz de matar 50% de uma população de larvas de uruçu foi 320 vezes menor que a de larvas de Apis. Em novos estudos, ainda preliminares, larvas de outra espécie de abelha sem ferrão, a mandaguari (Scaptotrigona postica), morreram com uma concentração letal ainda menor do que a da uruçu.

Mudanças de comportamento

Na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq-USP), a bióloga Cynthia Jacob reforçou as conclusões sobre os efeitos de defensivos agrícolas em abelhas sem ferrão ao verificar que o tiametoxam e outros três inseticidas do grupo dos neonicotinoides podem causar mudanças de comportamento, como a redução da velocidade de voo e da distância percorrida, de abelhas adultas jataí (Tetragonisca angustula), de acordo com um estudo publicado em fevereiro na revista Chemosphere.

Apis predominam como produtoras de mel e são essenciais como polinizadoras de laranja, soja, canola, algodão, entre outras culturas agrícolas, enquanto as sem ferrão favorecem a frutificação de café, morango, maçã, pêssego, tomate e berinjela. O relatório Polinização, polinizadores e produção de alimentos, organizado pela Plataforma Brasileira de Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (BPBES) e pela Rede Brasileira de Interações Planta-Polinizador (Rebipp) e apresentado em fevereiro de 2019, estimou em R$ 43 bilhões os serviços prestados pelos polinizadores no Brasil. De acordo com esse documento, as abelhas realizam 66% dos trabalhos de polinização, ao lado de besouros, borboletas, mariposas, aves e morcegos.

As abelhas sem ferrão – na verdade, com ferrão atrofiado – voam em praticamente toda a América Central e do Sul, África, Sudeste Asiático e norte da Austrália. “Elas vivem em matas próximas às plantações, como Apis, são menos numerosas e visíveis, percorrem áreas menores, porém entram em cultivos agrícolas”, diz Malaspina. Diante do risco de redução contínua das populações de abelhas, ele argumenta: “Como os agrotóxicos ainda são indispensáveis para manter o tamanho da safra agrícola, os fabricantes de defensivos e os produtores rurais deveriam investir mais em agroquímicos menos tóxicos ou em produtos biológicos mais seletivos”.

“Se usados adequadamente, por meio de aplicações aéreas com empresas certificadas, os defensivos agrícolas não causam impacto sobre as abelhas”, diz a advogada Renata Camargo, coordenadora de sustentabilidade da União da Agroindústria Canavieira do Estado de São Paulo (Unica), que representa 120 usinas produtoras de açúcar e álcool. Em junho de 2017, a Unica e a Organização de Plantadores de Cana da Região Centro-Sul do Brasil (Orplana) assinaram um acordo com órgãos do governo paulista, o Protocolo Etanol Mais Verde, para, entre outros objetivos, promover as boas práticas no uso de agrotóxicos e a proteção da vegetação nativa.

Projeto

Padronização de método para testes de toxicidade em larvas de abelhas sem ferrão em condições de laboratório, e potenciais efeitos adversos provenientes do alimento larval contaminado com o neonicotinoide tiametoxam (nº 16/00328-4); Modalidade Bolsa de Pós-doutorado; Pesquisador responsável Osmar Malaspina (Unesp); Bolsista Annelise de Souza Rosa; Investimento R$ 302.373,77.

Artigos científicos

Uma pesquisa da ONU aponta que 73% da polinização das plantas consumidas pelo homem são feitas pelas abelhas. Elas ajudam na manutenção da biodiversidade, que é essencial para o ser humano. Só que as abelhas estão ameaçadas de extinção. Em minas gerais, um morador de poços de caldas resolveu dar uma forcinha e criar o ambiente ideal à reprodução dos insetos no quintal de casa.


sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Novo Modelo de Colméia Racional para Abelhas Mandaçaias

Com a difusão da qualidade dos produtos das abelhas sociais sem ferrão (ASSF), houve um aumento na demanda por esses produtos o que resultou na busca de formas mais eficientes de manejo das colméias, surgindo então às caixas rústicas ou caixotes, posteriormente evoluíram até às colméias racionais que apresentam a vantagem de facilitar o manejo a coleta dos produtos e principalmente a multiplicação dos enxames.
Existem vários modelos de colméias racionais, utilizados por diferentes meliponicultores e para diversas espécies de abelhas sem ferrão, considerando vários fatores como a praticidade para divisão das colônias, alimentação artificial e higiene. São muito utilizados e difundidos os modelos Paulo Nogueira Neto (PNN) e Fernando Oliveira (INPA) sendo esta última acredito, a mais adequada e  utilizadas para diversas espécies, somente variando as suas medidas, no entanto, para o "caso especifico" das abelhas criadas no Sertão Nordestino à exemplo das Mandaçaias Melipona mandacaia Smith. e Melipona quadrifasciata anthidioides, onde essas especies passam por um logo período de  seca e de escassez de alimento, e à depender do manejo e tempo despendido pelo criador no cuidado durante esse período critico, pode ocorrer uma grande perda de enxames por inanição, pois, esses não conseguem armazenar alimentos suficientes para a extração pelo produtor e para o próprio sustento do enxame, fazendo se necessariedade de se fazer a alimentação artificial e perda de tempo para colheitas sucessivas no pouco volume das melgueiras colmeias em questão.
Durante essa última seca de 2016/2017 a maior ocorrida na Bahia nos últimos 100 anos, a perda de enxames em colmeias de outros a exemplo da colmeia  INPA, me motivou a busca por um modelo de colméia que juntasse a comodidade e adaptação das colmeias modelo nordestino com a praticidade e facilidade de manejo das colmeias modulares INPA e PNN, nessa busca consegui chegar a colméia que batizei de colméia Modelo RM), com as dimensões mais adequadas para as abelhas mandaçaias e acredito também, para a abelha jandaíra,  esse novo modelo de colméia é de fácil construção, as melgueiras destacáveis facilitam a colheita do mel sem destruir e sobrepor os potes de mel, sem contar a ótima adaptação, já testada e observada por mim em alguns anos de observações e comparações, para utilização com outras especies se faz necessário o estudo das dimensões que elas mais se adaptem.







sexta-feira, 24 de março de 2017

Abelhas polinizadoras importantes para a agricultura brasileira

Recentemente foi publicado um artigo na revista internacional Apidologie, onde foi feita uma revisão de 249 publicações científicas sobre os polinizadores de culturas com interesse econômico. É importante enfatizar que nessa revisão, foram diferenciados os insetos que apenas visitam as flores, dos que realmente a polinizam. Isso foi feito porque nem todos os visitantes florais tocam os órgãos reprodutivos das flores e por isso, nem todos são capazes de transferir o grão de pólen em direção ao óvulo. Assim, nesse trabalho, polinizadores e visitantes foram analisados separadamente, e a ênfase foi dada para as espécies que realmente atuam como polinizadores.
Foram identificados os polinizadores de 75 culturas agrícolas brasileiras. Esses polinizadores estão distribuídos em 250 espécies de animais, sendo que 87% são abelhas. Os gêneros de abelhas citadas como polinizadores efetivos e que merecem destaque são: Centris, um gênero de abelhas solitárias, conhecidas como abelhas de óleo por coletarem óleo floral; Xylocopa, abelhas solitárias de grande tamanho conhecidas como carpinteiras, pois, fazem seus ninhos cavando buracos na madeira e; Bombus, abelhas também de grande porte conhecidas como mamangavas. Outros dois gêneros importantes são pertencentes às abelhas sem ferrão: Melipona e Trigona. As abelhas sem ferrão são sociais e muito úteis para manejo, pois não apresentam ferrão funcional. Elas já haviam sido destacadas por sua importância na polinização em culturas agrícolas em trabalhos anteriores, tanto internacionais quanto brasileiros.
Duas espécies de abelhas merecem destaque: a Apis mellifera, chamada de abelha do mel ou africanizada, citada como polinizadora de 28 culturas e aTrigona spinipes (irapuá), citada para 10 culturas. Essas duas espécies são particulamente interessantes por apresentarem ampla distribuição geográfica, permitindo que executem os serviços de polinização nas diferentes regiões brasileiras, incluindo áreas degradadas com baixa diversidade. Além dessas, destaca-se também a Xylocopa frontalis (uma espécie de abelha carpinteira) e aMelipona fasciculata (uruçu cinzenta).
Outro grupo de espécies que deve ser enfatizado é o pertencente à família Halictidae, uma família que apresenta muitas espécies de abelhas, algumas das quais muito chamativas com cores metálicas que variam entre o verde e o azul. Essa família, no entanto, é ainda pouco estudada, e por isso, a identificação das espécies é muito difícil. Mais da metade das vezes em que essa família apareceu citada nos trabalhos consultados, a identificação não estava completa, dificultando muito a análise. As culturas que foram citadas como sendo polinizadas por abelhas pertencentes a essa família são pimentão, tomate, algodão, jurubeba, berinjela, morango, camu-camu e acapu.
Os dados obtidos também foram analisados considerando-se as diferentes regiões do Brasil. Poucos dados foram obtidos nas regiões norte e centro oeste, demonstrando o desconhecimento que ainda existe sobre os polinizadores de culturas agrícolas nessas duas regiões. Muitas plantas de interesse regional, principalmente no norte do país, também foram pouco citadas. Falta conhecimento básico sobre sua biologia floral e seus polinizadores, temas que ainda precisam ser mais bem estudados.
Em uma segunda revisão, publicada pelo Journal of Economic Entomology, foi analisada a dependência das culturas agrícolas por polinização animal. Já é bem conhecido que algumas culturas com alta produção mundial (como trigo, milho e arroz, por exemplo) são polinizadas pelo vento, ou seja, não dependem de polinizadores animais. Por outro lado, culturas com alto valor nutricional (como frutas e legumes), e que muitas vezes estão na base da agricultura familiar e consistem em importante fonte de renda na economia regional, são mais dependentes de polinizadores. Então, uma avaliação desse tipo é importante, especialmente diante dos cenários de desaparecimento de abelhas e déficits de polinizadores no hemisfério norte que vêm sendo reportados.
Medidas de dependência de culturas agrícolas por polinização já vêm sendo feitas globalmente desde a década de 90, e foram sugeridas quatro classes de dependência: essencial, grande, modesta ou pequena. Essa atribuição foi baseada em estudos que revelaram que algumas culturas quando não polinizadas apresentavam uma redução entre 90 e 100% na produção (dependência considerada essencial); outras, entre 40-90% (dependência considerada grande); entre 10-40% (modesta); e entre 1-10% (pequena).
Assim, para que se pudesse ter uma dimensão da dependência por polinizadores, foi feita uma revisão baseada em 57 trabalhos publicados na literatura científica sobre o tema. Estes trabalhos citavam 85 culturas como apresentando algum grau de dependência por polinização animal, sendo que mais de um terço dessas culturas (30 culturas) foram citadas como apresentando dependência essencial ou grande por polinizadores.
As culturas que foram citadas como apresentando dependência essencial por polinizadores são: abóbora, acerola, cajazeira, cambuci, castanha do pará, cupuaçu, fruta do conde, gliricídia, jurubeba, maracujá, maracujá doce, melancia, melão e urucum. Já as que foram citadas como apresentando grande dependência foram: gabiroba, goiaba, jambo vermelho, murici, pepino, girasol, guaraná, tomate, abacate, pinhão manso, damasco, cereja, pêssego, ameixa, adesmia e araticum.
Além disso, o mesmo artigo citado acima e publicado pelo Journal of Economic Entomology também estimou o valor econômico da polinização para a agricultura. O método utilizado para calcular esse valor foi proposto por autores internacionais na década de 90. Apesar de outros métodos terem sido propostos desde então, esse é particularmente útil por ser de baixa complexidade.
O valor econômico da polinização é calculado como uma função de dois fatores: a dependência de cada cultura por polinização e o valor de produção anual de cada cultura. Como dito acima, a dependência por polinização é estimada a partir das quatro classes já citadas (essencial, grande, modesta ou pequena) e a cada uma dessas classes é atribuída uma taxa de dependência (respectivamente, 0,95; 0,65; 0,25 e 0,05). Essa taxa é então, multiplicada pelo valor da produção anual de cada cultura. No caso do Brasil, o valor de produção anual de algumas culturas está disponível no sítio da Internet do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Foi possível estabelecer o valor da polinização para apenas 44 culturas, que possuíam tanto a dependência quanto o valor da produção definidos. A produção total dessas 44 culturas no ano de 2013 (ano para o qual foi feita a avaliação) foi de aproximadamente 45 bilhões de dólares. O valor econômico da polinização obtido para essas culturas no mesmo período foi de aproximadamente 12 bilhões de dólares, o que equivale a quase 30% do valor total.
É importante enfatizar que quase metade do valor da polinização obtido equivale à soja, uma cultura extensamente produzida no Brasil e, portanto, com alto valor total de produção. Essa cultura foi classificada como tendo uma dependência modesta por polinizadores, mas essa dependência ainda precisa ser mais bem avaliada, uma vez que existem muitas variedades diferentes sendo cultivadas no país atualmente. Outras culturas além da soja e que se destacam com valores altos de polinização são o café, tomate, algodão, cacau e laranja. Destas, apenas o cacau tem uma dependência essencial por polinizadores; as demais têm dependência pequena ou modesta, mas devido aos altos valores de produção no país, os valores de polinização obtidos também são elevados.
Esse tipo de medida é importante para chamar a atenção para o valor da biodiversidade. Muitas vezes, esse reconhecimento é ainda pequeno por parte da população em geral, ou dos agricultores, ou tomadores de decisão. Por isso, atualmente, tem sido enfatizado o conceito de serviços ecossistêmicos, que são os benefícios que os ecossistemas trazem para o ser humano devido ao seu funcionamento intrínseco. Assim, o serviço de polinização ocorre naturalmente devido aos processos inerentes das áreas naturais, que servem de habitat para os animais que atuam nas áreas agrícolas polinizando as culturas. Isso deixa claro que a proteção de áreas de habitats nativos entremeados nas culturas são importantes por garantir os polinizadores e estes, a produção agrícola, sendo de interesse não apenas para aqueles que apreciam a beleza cênica das áreas naturais, mas também para a economia local e para a produção de alimentos.
Especialmente o reconhecimento do papel dos insetos é de suma importância. Esses animais ainda são pouco pesquisados e pouco protegidos. No entanto, muitos deles têm papéis cruciais na natureza e sua importância precisaria ser mais bem conhecida e divulgada. Portanto, os polinizadores são um excelente exemplo de como a natureza atua, de formas por vezes sutis, na manutenção das sociedades humanas, principalmente através de seu papel na polinização e produção de alimentos. Estuda-los e protege-los equivale no fim, a contribuir para a própria manutenção do bem estar humano.
Quadros sintéticos dos resultados obtidos
Abaixo podem ser encontrados quatro quadros que sintetizam os resultados mais importantes dos trabalhos citados.
Quadro 1. Espécies de abelhas que foram citadas como polinizadores efetivos do maior número de culturas agrícolas, bem como suas distribuições geográficas e o grau de dependência de cada cultura por polinizador animal. As espécies em negrito destacam-se por serem citadas como polinizadores de muitas culturas que apresentam dependência essencial ou grande por polinização animal (ver também Quadro 2).
AbelhaDistribuição  geográfica no Brasil*                                             Cultura agrícola polinizadaDependência da cultura por polinizador animal
1) Apis mellifera (abelha do mel ou abelha africanizada)Todas as regiões1.abóboraEssencial
2.acapuIndeterminada
3.algodãoModesta
4.amoraModesta
5.caféModesta
6.cajáEssencial
7.cajuModesta
8.camu-camuIndeterminada
9.canolaModesta
10.cebolaPolinização não aumenta produção+
11.girassolGrande
12.goiabaGrande
13.jatropaIndeterminada
14.joáPequena
15.laranjaModesta
16.mandiocaPolinização não aumenta produção++
17.mangaPolinização não aumenta produção
18.melãoEssencial
19.morangoModesta
20.pedra ume caaIndeterminada
21.pepinoGrande
22.pimentaPequena
23.pimentãoPequena
24.pitangaModesta
25.pitangubaIndeterminada
26.sojaModesta
27.tomateGrande
28.umbuModesta
2) Xylocopa frontalis(carpinteira)Todas as regiões1.castanheira do brasilEssencial
2.cumaruIndeterminada
3.feijão caupiIndeterminada
4.gliricídiaEssencial
5.goiabaGrande
6.jurubebaEssencial
7.maracujáEssencial
8.maracujá doceEssencial
9.muriciGrande
10.umbuModesta
11.urucumEssencial
3) Trigona spinipes(irapuá)Todas as regiões1.abóboraEssencial
2.acerolaEssencial
3.cenouraPolinização não aumenta produção+
4.chuchuIndeterminada
5.girassolGrande
6.laranjaModesta
7.mangaPolinização não aumenta produção
8.morangoModesta
9.pimentãoPequena
10.romãModesta
4) Melipona fasciculata(uruçu cinzenta)Norte do Brasil1.açaiIndeterminada
2.berinjelaModesta
3.cajáEssencial
4.camu-camuIndeterminada
5.pimentaPequena
6.pimentãoPequena
7.tomateGrande
8.urucumEssencial
5) Bombus morio(mamangava)Centro oeste, nordeste, sudeste e sul1.abóboraEssencial
2.beringelaModesta
3.goiabaGrande
4.jurubebaEssencial
5.maracujáEssencial
6.maracujá doceEssencial
7.urucumEssencial
6) Centris tarsata (abelha de óleo)Centro oeste e norte1.acerolaEssencial
2.beringelaModesta
3.cajueiroModesta
4.goiabaGrande
5.muriciGrande
6.murici pitangaGrande
7.tomateGrande
7) Epicharis flava(mamangava)Todas as regiões1.acerolaEssencial
2.castanheira do brasilEssencial
3.cumaruIndeterminada
4.goiabaGrande
5.maracujáEssencial
6.maracujá doceEssencial
7.muriciGrande
8) Eulaema nigrita(mamangava)Todas as regiões1.castanheira do brasilEssencial
2.cumaruIndeterminada
3.gabirobaGrande
4.goiabaGrande
5.maracujáEssencial
6.maracujá doceEssencial
7.urucum
 
Tereza Cristina Giannini


Instituto Tecnológico Vale Desenvolvimento Sustentável – ITVDS

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