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Quem Somos

O Meliponário Rei da Mandaçaia é um empreendimento familiar especializado na criação, conservação e manejo de Abelhas Sociais Sem Ferrão de ocorrência natural no estado da Bahia, estamos a mais de 20 anos criando, multiplicando e contribuído para preservação destes pequenos magníficos animais. O nosso empreendimento é cadastrado no IBAMA CTF: 1681253, no Site é possível encontrar fotos da produção e muitas informações a cerca desta atividade, nosso meliponário principal está situado no Distrito de Hidrolândia - Uibaí e em Cruz das Almas no Recôncavo da Bahia.

Responsável Técnico: Engenheiro Agrônomo/Mestre em Ciências Agrárias, Márcio Pires de Oliveira / CREA/BA40051 Email: meliponarioreidamandacaia@hotmail.com Telefones: Vivo (74) 9995-2610 Oi (74) 8803-1683

sábado, 20 de dezembro de 2014

Ecoideias - Abelhas




As abelhas são consideradas um indicador natural de equilíbrio ambiental e ainda produzem mel e própolis, muito usados na alimentação humana. Elas também são grandes responsáveis por polinizar a maioria das frutas que comemos e 73% das espécies vegetais cultivadas no mundo são polinizadas por alguma espécie de abelha. Fomos até a Unesp de Bauru para conversar com o jovem pesquisador Zenon Zago, que estuda a rotina de diferentes abelhas nativas da região e nos conta sobre o comportamento das abelhas, sua situação atual e como podemos ajudar a preservá-las. Já o Altair é apicultor em Bauru e nos conta sobre sua experiência na extração de mel e própolis.

Veja a reportagem:
https://www.youtube.com/watch?v=Vi5_5qS1ZDE
Fonte:http://www.tv.unesp.br

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Em SP, nova técnica de polinização ajuda os produtores de morango


Abelha mandaguarí é a principal responsável pela polinização. fruta ideal para o mercado é resultado da visita permanente da abelha.

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Globo Rural - Thiago Ariosi

Uma técnica desenvolvida por pesquisadores da Embrapa vem ajudando os produtores de morango de São Paulo. Eles criam abelhas sem ferrão em laboratório para reforçar a polinização das flores nas lavouras.

A abelha mandaguarí, espécie encontrada com mais facilidade na região Sudeste do país é a principal responsável pela polinização nas plantações de morango. A fruta vermelhinha e no formato ideal para o mercado é resultado da visita permanente da abelha: sem o grão de pólen, os frutos ficam bem diferentes.

Esta nova técnica foi criada por pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), da Universidade de São Paulo e da Universidade Federal do Semiárido. Desde dezembro do ano passado, eles estão criando abelhas sem ferrão para polinizar as flores nos pés de morango na região de Jarinu e Atibaia, uma das maiores produtoras da fruta no país.

Segundo os pesquisadores, para polinizar toda a área plantada com morangos no Brasil, aproximadamente 3 mil hectares, seriam necessárias 50 mil colmeias da abelha mandaguarí, mas atualmente existem pouco mais de mil.

Para ajudar os agricultores, os pesquisadores estão produzindo colmeias em larga escala. Por ano serão três mil.

Na plantação de Osvaldo Mazziero, as colmeias já foram colocadas bem próximas aos pés de morango. Cada colônia tem de 10 a 15 mil abelhas. Elas vão ficar ali durante toda a safra, depois disso, serão encaminhadas para uma empresa privada, onde serão alimentadas e depois retornarão para as plantações.

Os pesquisadores já constataram que as perdas dos agricultores que participam do estudo diminuíram. Com o reforço na polinização, a quantidade de frutos deformados caiu bastante.

Agora, a Embrapa vai testar como as abelhas reagem aos efeitos dos agrotóxicos usados no cultivo do morango com o objetivo de oferecer para o produtor uma oportunidade de manter a colheita em alta, com pouco prejuízo.

Fonte Original: 
http://g1.globo.com/economia/agronegocios/noticia/2014/10/em-sp-nova-tecnica-de-polinizacao-ajuda-os-produtores-de-morango.html

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Força-tarefa internacional fará diagnóstico sobre polinização no mundo

Um grupo de 75 pesquisadores de diversos países-membros da Plataforma Intergovernamental de Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES, na sigla em inglês), que reúne 119 nações de todas as regiões do mundo, fará uma avaliação global sobre polinizadores, polinização e produção de alimentos.
Créditos: Wikimedia
Clique na imagem para vê-la no seu tamanho original.

O escopo do projeto foi apresentado no dia 17 de setembro de 2014 em São Paulo (SP), no auditório da Fapesp, em um encontro de integrantes do organismo intergovernamental independente, voltado a organizar o conhecimento sobre a biodiversidade no mundo e os serviços ecossistêmicos.
"A ideia do trabalho é avaliar todo o conhecimento existente sobre polinização no mundo e identificar estudos necessários na área para auxiliar os tomadores de decisão dos países a formular políticas públicas para a preservação desse e de outros serviços ecossistêmicos prestados pelos animais polinizadores", disse Vera Imperatriz Fonseca, do Instituto de Biociências (IB) da Universidade de São Paulo (USP) e do Instituto Tecnológico Vale Desenvolvimento Sustentável (ITVDS), à Agência Fapesp.

"Já estamos conhecendo melhor o problema [da crise da polinização no mundo]. Agora, precisamos identificar soluções", disse a pesquisadora, que coordena a avaliação ao lado de Simon Potts, professor da University of Reading, do Reino Unido.

De acordo com Fonseca, há mais de 100 mil espécies de animais invertebrados polinizadores no mundo, dos quais 20 mil são abelhas. Além de insetos polinizadores -- que serão o foco do relatório --, há também cerca de 1,2 mil espécies de animais vertebrados, tais como pássaros, morcegos e outros mamíferos, além de répteis, que atuam como polinizadores.

Estima-se que 75% dos cultivos mundiais e entre 78% e 94% das flores silvestres do planeta dependam da polinização por animais, apontou a pesquisadora.

"Há cerca de 300 mil espécies de flores silvestres que dependem da polinização por insetos", disse Fonseca. "O valor anual estimado desse serviço ecossistêmico prestado por insetos na agricultura é de US$ 361 bilhões. Mas, para a manutenção da biodiversidade, é incalculável", afirmou.

Nos últimos anos registrou-se uma perda de espécies nativas de insetos polinizadores no mundo, causada por, entre outros fatores, desmatamento de áreas naturais próximas às lavouras, uso de pesticidas e surgimento de patógenos.

Se o declínio de espécies de insetos polinizadores se tornar tendência, pode colocar em risco a produtividade agrícola e, consequentemente, a segurança alimentar nas próximas décadas, disse a pesquisadora.

"A população mundial aumentará muito até 2050 e será preciso produzir uma grande quantidade de alimentos com maior rendimento agrícola, em um cenário agravado pelas mudanças climáticas. A polinização por insetos pode contribuir para solucionar esse problema", afirmou Fonseca.

Segundo um estudo internacional, publicado na revista Current Biology, estima-se que o manejo de colmeias de abelhas utilizadas pelos agricultores para polinização -- como as abelhas domésticas Apis mellifera L, amplamente criadas no mundo todo -- tenha aumentado em cerca de 45% entre 1950 e 2000.

As áreas agrícolas dependentes de polinização, no entanto, também cresceram em mais de 300% no mesmo período, apontam os autores da pesquisa.

"Apesar de ter aumentado o manejo de espécies de abelhas polinizadoras, precisamos muito mais do que o que temos no momento para atender às necessidades da agricultura", avaliou Fonseca.

O declínio das espécies de polinizadores no mundo estimula a polinização manual em muitos países. Na China, por exemplo, é comum o comércio de pólen para essa finalidade, afirmou a pesquisadora.

"Na ausência de animais para fazer a polinização, tem sido feita a polinização manual de lavouras de culturas importantes, como o dendê e a maçã. No Brasil se faz a polinização manual de maracujá, tomate e de outras culturas", disse.

Falta de dados

Segundo Fonseca, já há dados sobre o declínio de espécies de abelhas, moscas-das-flores (sirfídeos) e de borboletas na Europa, nos Estados Unidos, no Oriente Médio e no Japão.

Um estudo internacional, publicado no Journal of Apicultural Research, apontou perdas de aproximadamente 30% de colônias de Apis mellifera L em decorrência da infestação pelo ácaro Varroa destructor, que diminui a vida das abelhas e, consequentemente, sua atividade de polinização nas flores, em especial nos países do hemisfério Norte.

Na Europa, as perdas de colônias de abelhas em decorrência do ácaro podem chegar a 53% e, no Oriente Médio, a 85%, indicam os autores do estudo. No entanto, ainda não há estimativas sobre a perda de colônias e de espécies em continentes como a América do Sul, África e Oceania.

"Não temos dados sobre esses continentes. Precisamos de informações objetivas para preenchermos uma base de dados sobre polinização em nível mundial a fim de definir estratégias de conservação em cada país", avaliou Fonseca. "Também é preciso avaliar os efeitos de pesticidas no desaparecimento das abelhas em áreas agrícolas, que têm sido objeto de estudos e atuação dos órgãos regulatórios no Brasil."

Outra grande lacuna a ser preenchida é a de estudos sobre interações entre espécies de abelhas polinizadoras nativas com as espécies criadas para polinização, como as Apis mellifera L.

Um estudo internacional publicado em 2013 indicou que, quando as Apis mellifera L e as abelhas solitárias atuam em uma mesma cultura, a taxa de polinização aumenta significativamente, pois elas se evitam nas flores e mudam mais frequentemente de local de coleta de alimento, explicou Fonseca.

De acordo com a pesquisadora, uma solução para a polinização em áreas agrícolas extensas tem sido o uso de colônias de polinizadores provenientes da produção de colônias em massa, como de abelhas Bombus terrestris, criadas em larga escala e inclusive exportadas.

Em 2004, foi produzido 1 milhão de colônias dessa abelha para uso na agricultura.

Na América do Sul, o Chile foi o primeiro país a introduzir essas abelhas para polinização de frutas e verduras. Em algumas áreas onde foi introduzida, entretanto, essa espécie exótica de abelha mostrou ser invasora e ter grande capacidade de ocupar novos territórios.

"É preciso estudar mais a interação entre as espécies para identificar onde elas convivem, qual a contribuição de cada uma delas na polinização e se essa interação é positiva ou negativa", indicou Fonseca.

"Além disso, a propagação de doenças para as espécies nativas de abelhas causa preocupação e deve ser um foco da pesquisa nos próximos anos", indicou.

Problema global

De acordo com Fonseca, a avaliação intitulada Polinizadores, polinização e produção de alimentos, do IPBES, está em fase de redação e deverá ser concluída no fim de 2015.

Além de um relatório técnico, com seis capítulos de 30 páginas cada, a avaliação também deverá apresentar um texto destinado aos formuladores de políticas públicas sobre o tema, contou.

"A avaliação sobre polinização deverá contribuir para aumentar os esforços de combate ao problema do desaparecimento de espécies de polinizadores no mundo, que é urgente e tem uma relevância política e econômica muito grande, porque afeta a produção de alimentos", afirmou.

A avaliação será o primeiro diagnóstico temático realizado pelo IPBES e deverá ser disponibilizada para o público em geral em dezembro de 2015. O painel planeja produzir nos próximos anos outros levantamentos semelhantes sobre outros temas como espécies invasoras, restauração de habitats e cenários de biodiversidade no futuro.

Uma estratégia adotada para tornar os diagnósticos temáticos mais integrados foi a criação de forças-tarefa -- voltadas à promoção da capacitação profissional e institucional, ao aprimoramento do processo de gerenciamento de dados e informações científicas e à integração do conhecimento tradicional indígena e das pesquisas locais aos processos científicos --, que deverão auxiliar na produção do texto final.

"O IPBES trabalha em parceria com a FAO [Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação], Unep [Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente], CBD [Convention on Biological Diversity], Unesco [Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura] e todos os esforços anteriores que trataram do tema de polinização", afirmou Fonseca.

A polinização foi o primeiro tópico a ser escolhido pelos países-membros da plataforma intergovernamental, entre outras razões, por ser um problema global e já existir um grande número de estudos sobre o assunto, contou Carlos Joly, coordenador do Programa Fapesp de Pesquisas em Caracterização, Conservação, Restauração e Uso Sustentável da Biodiversidade (BIOTA-Fapesp) e membro do Painel Multidisciplinar de Especialistas do IPBES.

"Como já há um arcabouço muito grande de dados sobre esse tema, achamos que seria possível elaborar rapidamente uma síntese. Além disso, o tema tem um impacto global muito grande, principalmente por estar associado à produção de alimentos", avaliou Joly.

Os 75 pesquisadores participantes do projeto foram indicados pelo Painel Multidisciplinar de Especialistas do IPBES, que se baseou nas indicações recebidas dos países-membros e observadores da plataforma intergovernamental.

Dois do grupo são escolhidos para coordenar o trabalho, sendo um de um país desenvolvido e outro de uma nação em desenvolvimento.

"O convite e a seleção da professora Vera Imperatriz Fonseca como coordenadora da avaliação é reflexo da qualidade da ciência desenvolvida nessa área no Brasil e da experiência dela em trabalhar com diagnósticos nacionais", avaliou Joly. "Gostaríamos de ter mais pesquisadores brasileiros envolvidos na elaboração dos diagnósticos do IPBES."

Leia mais sobre a reunião do IPBES na sede da Fapespneste link.

FONTE
Agência Fapesp
Elton Alisson - Jornalista

Genoma revela origem e evolução das abelhas produtoras de mel

Estudo altera noções anteriores e pode ajudar a proteger Apis mellifera do declínio global que vem sofrendo
A polinização pelas abelhas é essencial tanto do ponto de vista ecológico como econômico
A polinização pelas abelhas é essencial tanto do ponto de vista ecológico como econômico
Análises genéticas em ampla escala feitas por pesquisadores da Universidade de Uppsala, na Suécia, com colaboradores de vários países, sugerem alterações em parte do que se sabia sobre a origem e a evolução da abelha responsável por grande parte da polinização e da produção de mel no mundo, Apis mellifera. Em artigo publicado neste domingo (24/08) na revista Nature Genetics, o grupo liderado por Matthew Webster contesta a ideia anterior de que essas abelhas teriam surgido na África, e desloca essa origem para a Ásia. Os resultados podem também explicar um pouco sobre a abelha que existe no Brasil, conhecida como africanizada por ser um híbrido acidental entre a subespécie italiana e a africana. “Apesar de a população africana introduzida no Brasil ter sido pequena, menos de 50 rainhas inseminadas, as nossas abelhas têm muitas das características encontradas nas da África”, explica a bióloga Zilá Simões, da Universidade de São Paulo (USP) em Ribeirão Preto, coautora do trabalho.

O estudo não é o primeiro a mostrar que as nossas abelhas são, do ponto de vista genético, mais africanas do que europeias. Zilá conta que o biólogo Marco Del Lama, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), já tinha mostrado a mesma coisa com estudos bioquímicos da enzima malato desidrogenase. É claro que agora, com mais dados, a conclusão tem muito mais força.

Segundo a pesquisadora de Ribeirão Preto, o projeto que desembocou na publicação desta semana surgiu há três anos num congresso na Dinamarca, em que Matthew Webster propôs fazer uma amostragem extensa para verificar a interpretação anterior, por outro grupo de pesquisa, de que as abelhas teriam surgido na África e colonizado a Europa por meio de três ondas migratórias. Para isso, eles sequenciaram o genoma completo de 140 amostras de abelhas oriundas de 14 populações distintas, inclusive a brasileira. Os resultados não apenas mudam o provável continente de origem, mas também quando isso teria acontecido. De acordo com o grupo sueco, os grandes grupos de Apis mellifera (um africano, dois europeus e um no Oriente Médio e na Ásia ocidental) se separaram há cerca de 300 mil anos, e não 1 milhão de anos como foi proposto antes. Ao longo desse tempo, a população europeia diminuiu durante as glaciações e depois voltou a aumentar.

Além de rever a origem das abelhas responsáveis pela polinização de uma parte importante das plantas que compõem a dieta humana, o trabalho detectou a ação da seleção natural em uma série de genes, como a eficiência maior dos espermatozoides nos zangões africanos quando comparados aos europeus. Essa vantagem é essencial numa espécie na qual a rainha, responsável por praticamente toda a reprodução de uma colmeia, cruza com vários machos – criando um ambiente de competição entre os espermatozoides.

Junto com a maior mobilidade das abelhas em si, que na África formam colônias menores e com maior capacidade de dispersão do que na Europa, a mesma característica entre os espermatozoides pode explicar a predominância de características africanas nas abelhas brasileiras. Zilá lembra que antes do incidente que originou a hibridização nos anos 1960, quando abelhas africanas escaparam das colmeias mantidas pelo geneticista Warwick Kerr na Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Rio Claro, as abelhas de origem europeia viviam apenas no sul do Brasil, por não tolerarem muito calor. Depois da africanização, esses insetos rapidamente se disseminaram pelo país.

Outra surpresa nos resultados foi mostrar que, apesar de ser uma espécie domesticada, Apis mellifera não teve sua diversidade genética reduzida, o que costuma acontecer quando criadores fazem cruzamentos privilegiando determinadas características desejadas. O trabalho não explica por que isso acontece.

Um aspecto importante do estudo é a possibilidade de proteger as abelhas do declínio que vêm sofrendo por uma combinação de fatores, como doenças e mudanças no clima (ver Pesquisa FAPESP nº 137). Os genes sujeitos à pressão de seleção mostram que as abelhas africanas têm uma vantagem imunológica que as torna mais resistentes ao ácaro Varroa, e possivelmente a outros agentes infecciosos. Essa resistência também é comportamental, porque a variedade da África é mais eficiente na limpeza da colmeia, removendo companheiras mortas com rapidez. Para Zilá, não se pode preservar um organismo sem conhecê-lo e, nesse sentido, o estudo pode ter um impacto positivo, mesmo que não imediato. Ela explica que no futuro, os genes identificados poderão ser empregados em programas de cruzamentos que visem aumentar a resistência às doenças, a produtividade e a capacidade de polinização, importante por ser essencial à produção agrícola e manutenção dos ecossistemas naturais.
 
 
Foto:© MATTHEW WEBSTER / UNIVERSIDADE DE UPPSALA

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Abelhas vigiadas


Microssensores ajudam a entender comportamento de Apis mellifera exposta a pesticidas e mudanças climáticas
A população de abelhas registra um expressivo declínio em vários países, inclusive no Brasil. Em agosto do ano passado, a revista Time trazia na capa um alerta para o risco de desaparecimento das abelhas melíferas, com a chamada “O mundo sem abelhas” e o alerta: “O preço que pagaremos se não descobrirmos o que está matando as melíferas”. O desaparecimento das fabricantes de mel preocupa não só pela ameaça à existência desse produto, mas também porque as abelhas têm chamado a atenção principalmente pelo importante papel que representam na produção de alimentos. Não é para menos. Elas são responsáveis por 70% da polinização dos vegetais consumidos no mundo ao transportar o pólen de uma flor para outra, que resulta na fecundação das flores. Algumas culturas, como as amêndoas produzidas e exportadas para o mundo inteiro pelos Estados Unidos, dependem exclusivamente desses insetos na polinização e produção de frutos. A maçã, o melão e a castanha-do-pará, para citar alguns exemplos, também são dependentes de polinizadores.
Zangão da espécie Apis mellifera africanizada com microssensor colado no tórax
Zangão da espécie Apis mellifera africanizada com microssensor colado no tórax
Entre as prováveis causas para o desaparecimento das abelhas estão os componentes químicos presentes nos neonicotinoides, classe de defensivos agrícolas amplamente utilizados no mundo. Além de pesticidas, outros fatores, como mudanças climáticas com maior ocorrência de eventos extremos, infestação por um ácaro que se alimenta da hemolinfa (correspondente ao sangue de invertebrados) das abelhas, monoculturas que fornecem pouco pólen como milho e trigo e até técnicas para aumentar a produção de mel, podem ser responsáveis pelo fenômeno conhecido como distúrbio de colapso de colônias (CCD, na sigla em inglês), que provoca a desorientação espacial desses insetos e morte fora das colmeias. O distúrbio já provocou a morte de 35% das abelhas criadas em cativeiro nos Estados Unidos.
Foto:VALE/CSIRO

Na busca por respostas que ajudem a combater o problema, o Instituto Tecnológico Vale (ITV), em Belém, no Pará, desenvolveu em colaboração com a Organização de Pesquisa da Comunidade Científica e Industrial (CSIRO), na Austrália, microssensores – pequenos quadrados com 2,5 milímetros de cada lado e peso de 5,4 miligramas –, que são colados no tórax das abelhas da espécie Apis mellifera africanizada (abelhas com ferrão resultantes de variedades europeias e africanas) para avaliação do seu comportamento sob a influência de pesticidas e de eventos climáticos. Uma parte do experimento está sendo conduzida na Austrália e a outra no Brasil. 
 
No estado australiano da Tasmânia, ilha ao sul do continente da Oceania, será feito um estudo comparativo com 10 mil abelhas para avaliar como elas reagem quando expostas a pesticidas. Para isso, duas colmeias foram colocadas em contato com pólen contaminado e outras duas não. “Se for notada qualquer alteração no comportamento dos insetos expostos ao pesticida, como incapacidade de voltar para a colmeia, desorientação ou mesmo morte precoce, o produto passará a ser o principal suspeito do distúrbio de colapso de colônias”, diz o físico Paulo de Souza, coordenador da pesquisa e professor visitante do ITV. O projeto foi iniciado em setembro do ano passado e seu término está previsto para abril de 2015, com a divulgação dos resultados no segundo semestre. “A principal razão para a escolha da Tasmânia é que se trata de um ambiente distinto, onde não há poluição e metade do território é composta por florestas”, diz Souza, que também é professor da Universidade da Tasmânia.

Como as melíferas australianas pesam em torno de 105 miligramas, o sensor representa cerca de 5% do seu peso. Já as abelhas da mesma espécie que vivem no Brasil pesam cerca de 70 miligramas – o que levou os pesquisadores a fazerem testes em túneis de vento para avaliar se o sensor poderia ter influência sobre a sua capacidade de voo. “Avaliamos a batida das asas e a inclinação do corpo em abelhas com o sensor e sem ele, e verificamos que não houve alteração na capacidade de voar”, diz Souza.
Tamanho do microssensor comparado com moeda de R$ 1
Tamanho do microssensor comparado com moeda de R$ 1
A parte do experimento que está sendo feita no Brasil tem como foco inicial o monitoramento de 400 abelhas durante três meses para avaliar em que medida as mudanças do clima, principalmente a alteração do regime de chuvas na Amazônia, afetam os insetos. “Não sabemos como elas vão se comportar diante das projeções de aumento da temperatura e de alterações no clima devido ao aquecimento global”, diz Souza. Os estudos estão sendo feitos em um apiário no município de Santa Bárbara do Pará, próximo a Belém.

“Cada sensor tem um código gravado, que funciona como se fosse uma identidade de cada abelha”, diz Souza. Com ele é possível avaliar, em detalhes, todos os indivíduos da colmeia. Concluída essa etapa da pesquisa, um segundo estudo terá início, desta vez com abelhas nativas sem ferrão do Pará, que parecem sofrer mais o impacto da alteração climática do que as europeias. Embora não sejam grandes produtoras de mel, elas são excelentes polinizadores. Como as abelhas têm um ciclo de vida relativamente curto, de cerca de dois meses, será possível acompanhar várias gerações.
Físico Paulo de Souza segura uma colmeia no Pará
Os sensores que estão sendo testados em campo fazem parte de uma primeira geração desenvolvida pelo ITV e CSIRO – e outros já estão a caminho. “Uma das inovações obtidas é a distância de comunicação que conseguimos alcançar, de até 30 centímetros”, ressalta o pesquisador. Isso foi feito com a melhoria da qualidade da antena do chip, o que aumentou a sua capacidade de se comunicar a distância. “A CSIRO desenvolveu o sistema wi-fi (sem fio) e fez a modificação na antena.” Durante o seu doutorado, Souza trabalhou com um grupo de pesquisa dedicado a construir sensores para missões espaciais, como os que foram instalados no braço mecânico do jipe robótico Opportunity, enviado em 2004 a Marte. Essa missão de exploração geológica do planeta vermelho, que busca sinais da presença passada de água, continua em atividade.

O microssensor é composto por um chip com memória de armazenamento de 500 mil bytes – suficiente para guardar dados a cada segundo por quase uma semana –, uma antena e uma bateria. As informações sobre o movimento das abelhas captadas pelo chip são retransmitidas para antenas instaladas no entorno da colmeia e em estações de alimentação, e depois transferidas para um centro de controle. Com os dados coletados no campo, os pesquisadores constroem um modelo tridimensional da movimentação dos insetos que permite saber se eles estão agindo naturalmente ou se, por algum motivo, estão desorientados e não conseguem retornar aos seus locais de origem.

Cada antena custa cerca de US$ 300, o que torna a técnica mais aplicável em comparação com outros dispositivos similares, cujo preço varia em torno de US$ 10 mil. “O próprio chip, de US$ 0,30, é muito mais barato do que os que estão no mercado e são vendidos a US$ 6.” O físico ressalta que, desde o início, eles sempre buscaram um processo de manufatura que permitisse a produção em escala industrial ao menor preço possível.

A próxima geração de chips, em fase final de desenvolvimento, será capaz de gerar e armazenar a sua própria energia e também de captar a temperatura, umidade e insolação do ambiente. Os planos não param por aqui. “Queremos desenvolver, em quatro anos, um chip do tamanho de um grão de areia para monitoramento de mosquitos transmissores da dengue e malária”, diz Souza. Entre as várias estratégias estudadas para a aplicação desse diminuto equipamento, a mais promissora, na avaliação do pesquisador, é lançar um jato de spray sobre os insetos. 
 
Ampliar o raio de ação dos sensores também é uma das metas do projeto. “Queremos chegar a centenas de metros para explorar a plataforma tecnológica futuramente em outras aplicações, como fuselagem de aeronaves, roupas de funcionários em áreas de risco e óculos de monitoramento à exposição ultravioleta”, ressalta. As duas instituições destinaram ao projeto – do qual participam 23 pesquisadores de diversas áreas do conhecimento – US$ 25 milhões para um período de cinco anos.
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Agrotóxicos e abelhas
O comportamento das abelhas também é o foco de vários estudos conduzidos por um grupo de 20 pesquisadores, sob a coordenação do professor Osmar Malaspina, do Instituto de Biociências da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Rio Claro, no interior paulista. Além de Malaspina, o núcleo de pesquisa é composto pelas professoras Roberta Nocelli e Elaine Cristina da Silva Zacarin, ambas da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), e do professor Stephan Malfitano de Carvalho, da Universidade Federal de Uberlândia (UFU).

“Somos o primeiro grupo de pesquisa no Brasil a estudar a relação entre agrotóxicos e abelhas”, diz Malaspina. Ele pesquisa o tema desde o seu mestrado, na década de 1970, mas só a partir de 2000 voltou a se dedicar intensamente ao assunto em função de reclamações de apicultores que estavam perdendo abelhas após a aplicação aérea de inseticidas, principalmente para combater pragas que atacam os canaviais. “Essas perdas começaram a ser relatadas após a entrada de novos produtos no mercado”, relata.

Segundo Malaspina, 20 mil colônias de abelhas foram perdidas no estado de São Paulo entre 2008 e 2010; 100 mil em Santa Catarina apenas em 2011; e as estimativas apontam para perdas anuais de 40% de colmeias no Rio Grande do Sul e em Minas Gerais. Cada colônia ou colmeia tem, em média, 50 mil indivíduos. “As informações sobre as perdas foram passadas por apicultores, mas não sabemos a causa da morte, porque as abelhas podem morrer por vários fatores além dos inseticidas, como doença, manejo, seca extrema, entre outras variáveis.” Em alguns casos, como a de um apicultor do município de Boa Esperança do Sul, no interior de São Paulo, a relação entre causa e efeito ficou comprovada. “Em 2008, em uma terça-feira ele tinha 400 colmeias, na quarta houve uma aplicação aérea num local próximo e apenas um dia depois, na quinta, todas as abelhas estavam mortas”, diz Malaspina. O resultado de uma análise feita apontou que um inseticida neonicotinoide era o responsável pelas mortes.

Um dos estudos do seu grupo para avaliar o efeito dos agrotóxicos no organismo das abelhas é feito dentro do laboratório e em estufas que simulam as condições de colmeias. Resultados de testes feitos pelos pesquisadores apontam que os agrotóxicos atingem o sistema digestório e o cérebro das abelhas. Em casos mais graves, elas não conseguem se alimentar e morrem por inanição. Outros experimentos estão sendo feitos para avaliar de que forma esses insetos, quando conseguem sobreviver à intoxicação, são afetados. Esse conhecimento é importante para proteger a grande variedade de abelhas existente no Brasil, com cerca de 2 mil espécies descritas.

Além da preocupação com as perdas dos apicultores, existe o risco para as culturas que dependem delas para a polinização. O maracujá, por exemplo, só produz se for visitado pela mamangava, assim como a berinjela, o pimentão e outras espécies vegetais que, por terem flores mais fechadas, precisam de polinizadores específicos.

Fonte: http://revistapesquisa.fapesp.br
DINORAH ERENO | Edição 221 - Julho de 2014


quarta-feira, 18 de junho de 2014

TECNOLOGIA: Cientistas descobrem novo mecanismo de percepção das abelhas

Cientistas descobrem novo mecanismo de percepção das abelhas
Fonte: Tv Cultura


quinta-feira, 3 de abril de 2014

Aplicativo brasileiro vai monitorar o desaparecimento das abelhas

O Bee Alert pode servir como base para futuras pesquisas sobre o sumiço das polinizadoras, problema que se alastra em todo o mundo
Algumas regiões da Europa registraram o desaparecimento de 53% das abelhas - que são importantes para a agricultura (Stephane Mahe/Reuters)
Um pesquisador da USP de Ribeirão Preto e seu filho, um publicitário, criaram um aplicativo de computador, smartphone e tablet para monitorar o desaparecimento de colônias de abelhas. O Bee Alert, como foi batizado o aplicativo, é gratuito e está disponível online.
As abelhas são uma peça-chave para a agricultura e, assim, para a comida que está no nosso prato. Esses insetos polinizam plantações de frutas, legumes e grãos. Nos últimos oito anos, apicultores ao redor do mundo têm percebido que suas colônias estão diminuindo. Entre os motivos que já foram apontados para explicar o declínio das populações estão a ação de vírus, fungos, bactérias e o uso de pesticidas. Segundo dados do Coloss, grupo de cientistas de diversos países que estuda o sumiço das abelhas, algumas regiões da Europa perderam até 53% de suas colônias.
Embora o fenômeno tenha sido detectado no Brasil, não se sabe qual é a sua dimensão — resposta que os criadores do aplicativo querem ajudar a encontrar. "A plataforma é uma ferramenta online para que apicultores, meliponicultores e a comunidade científica possam fazer registros de desaparecimento ou de perdas significativas de abelhas em seus apiários", diz o publicitário Daniel Malusá Gonçalves, que desenvolveu o aplicativo com seu pai, o biólogo Lionel Segui Gonçalves, pesquisador da USP de Ribeirão Preto e presidente do Centro Tecnológico de Apicultura e Meliponicultura do Rio Grande do Norte (Cetapis). O Bee Alert faz parte da campanha Bee or not to Be?, criada por Lionel para proteger as abelhas. 
Leia também:
O aplicativo vai funcionar de uma maneira simples: o produtor ou o pesquisador registrará o local do seu apiário e, na ocorrência de sumiço das abelhas, informará a intensidade do desaparecimento (quantas colmeias foram prejudicas e qual a porcentagem da perda), as possíveis causas (doenças, pragas e clima, por exemplo) e os prejuízos. Além disso, o produtor ou o pesquisador deve declarar se os insetos sumiram ou migraram para áreas próximas. "Estamos numa etapa inicial e sabemos que vamos lidar com dificuldades, como o baixo acesso à tecnologia pelo apicultor e seu receio de expor o problema", diz Daniel.
A ferramenta está disponível em português, mas a promessa é que ela seja oferecida em espanhol e inglês no próximo mês. "Acreditamos que o aplicativo poderá ser usado em outros países, pois enfrentamos problemas e desafios similares quando o assunto é a proteção das abelhas", afirma Daniel.


Fonte:http://veja.abril.com.br

segunda-feira, 31 de março de 2014

"Malva Branca" a planta do mel

Apesar das chuvas de verdade só terem caído em nossa região somente em dezembro de 2013, foi o suficiente para o desenvolvimento da Waltheria sp., planta fornecedora recursos florais importantes para muitas espécies de abelhas meliferas, evidenciando o potencial meliponícola desse gênero na região semiárida da Bahia, conhecida popularmente como malva branca tem ocorrência na Caatinga, plantas essas plantas são tidas como importantes plantas invasoras  nas áreas de cultivo de milho e feijão, trata-se uma espécie subarbustiva, perene e muito comum em áreas de pastagens e pomares, suas inflorescências são compostas por flores pequenas e amarelas, essa planta fornece néctar abundante e produz um mel de sabor inigualável com cores claras variando de âmbar claro ao branco água. Esses plantas são importantes fornecedoras recursos florais para muitas espécies de abelhas tanto sociais com solitárias.
Quem quiser adquirir mel de "Mandaçaia do Sertão" (Melipona mandacaia Smith),  nosso mel ficou na 2ª colocação no concurso de meís do II Seminário Brasileiro de Própolis e Pólen e V Congresso Baiano de Apicultura e Meliponicultura, esse mel é proveniente da florada de "malva branca" (Waltheria sp.) disponho de 50 litros ao preço de R$ 80,00 o litro já com a despesa de envio por minha conta. interessados enviar Email para: meliponarioreidamandacaia@hotmail.com
Malva Branca

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Nova técnica permite criação em massa de abelhas sem ferrão

Abelha Mandaçaia em flor de Girassol
Abelhas sem ferrão, como a jataí (Tetragonisca angustula) e a uruçu (Melipona scutellaris), são reconhecidas como importantes polinizadoras de diversas culturas agrícolas, como berinjela, morango, tomate e café. Uma das principais limitações para utilizá-las para essa finalidade, no entanto, é a dificuldade em produzir colônias em quantidade suficiente para atender à demanda dos agricultores, uma vez que a maioria dessas espécies apresenta baixo número de rainhas.

Mas uma nova técnica que pode ajudar a superar essa limitação foi desenvolvida por um grupo de pesquisadores, que criou in vitro rainhas de uma dessas espécies de abelha: a Scaptotrigona depilis, conhecida popularmente no Brasil como mandaguari.

O estudo foi feito por cientistas da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), em parceria com colegas da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Federal Rural do Semiárido (Ufersa), campus de Mossoró (RN).

Resultado de um trabalho de doutorado, realizado com Bolsa da Fapesp, a técnica foi descrita na edição de setembro da revista Apidologie e será testada em campo nos próximos anos por meio de um projeto realizado com apoio do Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE), da Fapesp.

"Conseguimos desenvolver uma metodologia de produção artificial de rainhas da espécie Scaptotrigona depilis, que demonstrou ter uma aplicação fantástica para a criação em larga escala dessa espécie de abelha, a fim de atender à demanda dos produtores agrícolas", disse Cristiano Menezes, pesquisador da Embrapa Amazônia Oriental, em Belém (PA), e autor do estudo, à Agência Fapesp.

De acordo com o pesquisador, que realizou doutorado na FFCLRP sob orientação da professora Vera Lucia Imperatriz-Fonseca da Ufersa, a mandaguari está mais presente na região Sudeste do Brasil e pertence a um gênero de abelhas -- o Scaptotrigona -- que está sendo revisto e do qual, além dela, fazem parte mais oito espécies que ocorrem em todo o país e possuem ferrão atrofiado.

As colônias dessas espécies de abelhas são compostas, em média, por 10 mil operárias -- cada uma com cerca de 5 milímetros -- e são regidas por uma única rainha-mãe, com cerca de 1,5 centímetro e capacidade de pôr ovos.

A fim de aumentar o número de colônias de espécies desse gênero de abelha -- que, além de polinizadora, também produz mel, pólen e própolis --, criadores brasileiros têm utilizado uma técnica pela qual se divide uma colônia ao meio para originar outra com uma nova rainha.

Mas só é possível utilizar o método para multiplicar as colônias da maioria das espécies de abelhas sem ferrão uma vez por ano, afirmou Menezes. "Com essa técnica, para produzir 50 mil colônias de jataí e polinizar cerca de 3,5 mil hectares de morango, seria preciso ter 50 mil abelhas rainhas", estimou.

"O morango é uma das culturas agrícolas que dependem de polinização com menor área de cultivo no Brasil. Imagine quantas abelhas rainhas precisaríamos para polinizar lavouras de tomate, cuja área de plantação é bem maior", comparou.

Nova técnica

Para aumentar a produção de rainhas e de colônias de mandaguari, Menezes desenvolveu durante seu doutorado, realizado entre 2006 e 2010, uma técnica pela qual fornece a larvas recém-nascidas da abelha uma quantidade seis vezes maior de alimento do que o inseto está acostumado a ingerir. Dessa forma, todas as abelhas fêmeas superalimentadas se tornam rainhas.

De acordo com Menezes, 97,9% das abelhas rainhas produzidas por esse método sobreviveram e foram capazes de pôr ovos e formar colônias in vitro. O tamanho delas pode ser igual ao de rainhas "naturais" se receberem quantidades de alimento larval suficiente, apontou.

"Otimizamos essa técnica de produção in vitro de abelhas rainhas, temos um protocolo muito bem definido e conseguimos produzir a quantidade de insetos que for necessário", afirmou.

Atualmente, ele e os demais participantes do projeto de pesquisa aprimoram o sistema de alimentação artificial das larvas do inseto, em que usam dieta à base de soja em substituição ao alimento natural, para alimentar o número de colônias produzidas.

As abelhas são criadas em estufa, com temperatura controlada, e protegidas de inimigos naturais. "Com o avanço dessas novas técnicas de produção in vitro de rainhas de abelhas sem ferrão estamos testando a possibilidade de produzir dez colônias filhas a partir de uma mãe por ano. Com isso, daríamos origem a um método viável de produção de colônias", disse Menezes.

Com o projeto apoiado pelo Programa PIPE, da Fapesp, os pesquisadores pretendem reunir essas técnicas em um sistema único de produção de colônias e testá-lo em campo. Em uma segunda fase, eles vão avaliar qual o efeito dos principais agrotóxicos utilizados hoje na cultura do morango sobre as abelhas.

Para isso, associaram-se à empresa produtora de agentes biológicos Promip, situada no município paulista de Engenheiro Coelho, onde foram construídas cinco estufas climatizadas para plantio de morango.

As abelhas serão introduzidas nessas estufas e expostas aos dez agrotóxicos mais utilizados para combater pragas que atacam a cultura do morango, com o intuito de avaliar qual o efeito de cada produto, individualmente, na sobrevivência das abelhas e na existência das colônias.

A partir dos resultados, os pesquisadores pretendem elaborar uma lista de recomendações para os agricultores sobre quais cuidados tomar ao utilizar um determinando agrotóxico, de modo que não mate as abelhas, ou indicar quais predadores naturais podem ser utilizados no lugar de agrotóxicos para eliminar pragas que atingem as lavouras de morango, como o ácaro rajado.

"Queremos ter ao final do projeto uma lista de recomendações para falar com embasamento e segurança ao agricultor que, se ele utilizar abelhas para a realização de polinização, não poderá utilizar determinados agrotóxicos", disse Menezes.

Testes de eficácia

Os pesquisadores também avaliam o aumento na produtividade com a introdução de abelhas sem ferrão para a polinização em diversas culturas agrícolas.

No caso do morango, por exemplo, a medida aumentou entre 20% e 40% a produtividade agrícola -- dependendo da variedade -- e diminuiu em até 80% a má formação de frutos, afirmou Menezes.

Uma inflorescência -- com diversas microflores juntas --, a flor do morango é visitada por diversos grupos de abelhas -- incluindo as com ferrão e espécies "solitárias". Quando várias abelhas voam e pousam sobre essa inflorescência, elas realizam a polinização dessas microflores e fazem com que o fruto seja bem formado, redondo e vistoso.

Já quando poucas abelhas visitam a flor do morango, elas realizam a polinização de apenas uma parte da inflorescência, fazendo com que os frutos fiquem deformados, segundo Menezes.

"No passado, esse tipo de má formação do morango era associado à trips -- uma praga que ataca o fruto -- e, por essa razão, os agricultores aplicavam mais pesticida para combatê-la e acabavam matando mais abelhas e prejudicando a produtividade da cultura agrícola", contou.

Em princípio os testes em campo serão feitos com a mandaguari porque ela se mostrou mais resistente à multiplicação. E, inicialmente, as colônias de mandaguaris serão introduzidas em lavouras de morango porque é a cultura sobre a qual eles possuem maior conhecimento sobre o benefícios do uso de abelhas sem ferrão como polinizadoras.

A ideia, no entanto, é expandir a aplicação para outras culturas, as quais já se sabe que o processo de polinização por abelhas confere frutos maiores, com mais sementes e sabor e cor mais acentuados. "Há cerca de 30 culturas agrícolas que sabemos que podem ser beneficiadas pela polinização das abelhas sem ferrão", estimou Menezes.

"Já estamos fazendo testes preliminares com algumas delas, como o tomate, em São Paulo, e com o açaí, em Belém do Pará, utilizando uma abelha sem ferrão do mesmo gênero da mandaguari, mas de uma espécie diferente e muito parecida com ela", contou.

Para introduzir as abelhas nas lavouras da cultura selecionada, as colônias artificiais são mantidas confinadas, durante três a seis meses, até que a população seja composta por, no mínimo, 3 mil abelhas.

Com esse número, a colônia é levada à noite para a lavoura, com condições de temperatura amenas, e colocada sobre um cavalete para que os insetos sejam liberados para voar sobre a plantação e realizar a polinização.

Algumas das vantagens da utilização desse tipo de abelha para realizar a polinização, segundo Menezes, é que elas possuem raio de voo menor -- de 900 metros, contra 2,5 quilômetros das abelhas com ferrão.

Por isso, têm maior chance de atingir a cultura-alvo para polinização. "Como o raio de voo das abelhas com ferrão é maior, se encontrarem outra planta florindo durante sua trajetória elas pousam nela, em vez de na cultura-alvo", explicou.

"É mais difícil as abelhas sem ferrão se dispersarem durante o trajeto", comparou.

O artigo An advance in the in vitro rearing of stingless bee queens(doi: 10.1007/s13592-013-0197-6)Ç, de Menezes e outros, pode ser lido por assinantes da revista Apidologie em www.apidologie.org ou em link.springer.com/article/10.1007/s13592-013-0197-6. 

FONTE
Retirado do Jornal AGROSOFT
Foto: Márcio Pires
Agência Fapesp
Elton Alisson - Jornalista
Telefone: (11) 3838-4000

sábado, 21 de setembro de 2013

Redução das colônias de abelhas representa ameaça aos seres vivos



Sob ameaça: polinização das abelhas é vital
Sob ameaça: polinização das abelhas é vital

Nairóbi sedia debate sobre polinização para agricultura sustentável
Por LUCIENE DE ASSIS:

As abelhas estão entre os principais polinizadores do planeta. Sua extinção pode ameaçar também a sobrevivência do homem. Em algumas partes do mundo, estudiosos do assunto já confirmam a redução de colônias entre 30% e 70%, indício de que todas as espécies estão ameaçadas. Cientistas classificam o fenômeno da redução dessas populações de desordem de colapso da colônia (colony collapse disorder), significando sérios prejuízos para a biodiversidade, a produção de alimentos e a economia em geral.

Polinizadores, como as abelhas e outros insetos e animais, representam um dos mecanismos essenciais à manutenção e promoção da biodiversidade no planeta, pois é somente após a polinização que as plantas formam frutos e sementes, fontes da sua própria reprodução. A importância desses polinizadores será o tema do V Seminário de Política destinadas a Resolver as Carências de Polinização (Fifth Policy Workshop on Addressing Pollination Deficits), que acontecerá em Nairóbi, Quênia, de 23 a 25 de setembro de 2013.

DEPENDÊNCIA

De acordo com pesquisadores, mais de 75% das espécies agricultáveis que alimentam o mundo e muitas das plantas utilizadas pela indústria farmacêutica dependem da polinização para produzir frutos e sementes. Além disso, a manutenção da diversidade de polinizadores contribui para a manutenção da diversidade de alimentos e a qualidade de vida, em todos os seus estágios.

De acordo com a gerente de Projeto do Departamento de Conservação da Biodiversidade do Ministério do Meio Ambiente (MMA), Daniela América Oliveira, a reunião de trabalho, denominada "Fifth Policy Workshop on Addressing Pollination Deficits", será realizada no âmbito Programa das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) outros organismos multilaterais. O objetivo do seminário é avaliar a aplicação do protocolo sobre conservação e manejo de polinizadores para uma agricultura sustentável, numa abordagem ecossistêmica, que integra o Projeto Global de Polinização, atualmente em execução em sete países - Brasil, Gana, Índia, Quênia, Nepal, Paquistão e África do Sul.

CAPACIDADES

A oficina no país africano reunirá um pequeno grupo de pessoas envolvidas tanto na aplicação do protocolo de déficit de polinização quanto na tomada de decisão política dos países participantes, pessoas que trabalham com os povos indígenas, especialistas internacionais e em política. O seminário visa melhorar a interface ciência, política e conhecimento em serviços de polinização para ajudar os países executores do Projeto Global de Polinização, visando a aplicação de um protocolo que permita avaliar os déficits de polinização, desenvolvam capacidades para detectar tendências e indicações de déficits de polinização e facilitem a identificação, mapeamento, modelagem e análise de opções de ação em zonas atingidas por tais déficits.

O trabalho proposto permitirá a construção de capacidades de avaliação da interface ciência e política para um serviço ecossistêmico específico de relevância para o futuro trabalho do recém criado Painel Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços de Ecossistemas (IPBES). “Pretende-se, com este esforço, extrair lições aprendidas com a construção de uma interface ciência e política relacionada com serviços ecossistêmicos e acordos de cooperação entre instituições e países”, afirma Daniela Oliveira.

A Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB) estabeleceu a Iniciativa Internacional para Conservação e Uso Sustentável de Polinizadores com a finalidade de promover uma ação mundial coordenada. Entre os princípios estão objetivos como monitorar o declínio de polinizadores, sua causa e seu impacto sobre os serviços de polinização; suprir a falta de informações taxonômicas sobre polinizadores; avaliar os valores econômicos da polinização e do impacto do declínio dos serviços de polinização; e promover a conservação, restauração e uso sustentável da diversidade de polinizadores na agricultura e ecossistemas relacionados.

As iniciativas estão em andamento nos sete países selecionados pela FAO desde março de 2010, terá duração de cinco anos e um orçamento total de US$ 12 milhões (cerca de R$ 26,4 milhões), sendo US$ 3,5 milhões destinados ao Brasil para apoiar projetos de pesquisa em polinização e polinizadores de sete culturas agrícolas (algodão, caju, canola, castanha do Brasil, maçã, melão e tomate), com intensiva coleta de dados em campo, seguindo o protocolo déficit de polinização e de monitoramento de polinizadores definidos para o projeto global e adaptados localmente. 
 Fonte:MMA

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Meliponário Rei da Mandaçaia/Senhor do Bonfim-Bahia

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

O envenenamento das abelhas


dont-poison-me
Prestadoras de inestimáveis serviços ambientais, elas sucumbem a agrotóxicos, monocultura, manejo inadequado. Como viverá a humanidade se desaparecerem?
Por Inês Castilho, com a colaboração de Taís González
Em sua recente participação no III Encontro Internacional de Agroecologia, em Botucatu (SP), a cientista indiana Vandana Shiva lembrou a tragédia que a levou a estudar o impacto da indústria química na agricultura: o vazamento de 42 toneladas de um gás letal na fábrica de pesticidas da Union Carbide em Bophal, na Índia, em 1984, causando a morte de três mil pessoas e sequelas permanentes em mais de 100 mil. O presidente da empresa norte-americana, Warren Anderson, teria fugido do país em avião do governo, dias depois, abandonando na fábrica toneladas de produtos químicos perigosos, entre eles DDT – que estão lá até hoje.
A origem da tragédia, lembra Vandana, está na chamada Revolução Verde, imposta pelos Estados Unidos em sua área de influência geopolítica nos anos 1960 para ampliar o mercado de produtos agrícolas e agroquímicos – fabricados a partir de armas químicas usadas na Guerra do Vietnã. O resultado desse modelo, o agronegócio, é conhecido: 65% da biodiversidade e da água doce do planeta contaminadas por agrotóxicos – caldo de cultura para a morte súbita e desaparecimento das abelhas melíferas, fenômeno batizado em 2006 de Colony Collapse Disorder (CCD), ou Desordem de Colapso da Colônia.
Prestadoras de inestimáveis serviços ambientais, as abelhas respondem pela polinização de 71 dos 100 tipos de colheita que alimentam e vestem a humanidade, segundo relatório da ONU de 2010. Às abelhas devemos, além do mel, do própolis e da cera – os aspargos, o óleo de canola e o de girassol, as fibras têxteis do linho e algodão e culturas utilizadas para forragem na produção de carne e leite, como a alfafa. A videira depende em parte do trabalho das abelhas e, com ela, a produção de vinhos. Em um mundo sem abelhas seriam impensáveis os cítricos, o abacate, o agrião… Em particular, a produção de maçãs, morangos, tomates e amêndoas.
Parece assustador – e é mesmo. A cultura de amêndoas, totalmente dependente da polinização das abelhas, é exemplo da dimensão do desastre: são hoje necessárias 60% das colmeias remanescentes nos Estados Unidos para polinizar as plantações do estado da Califórnia, responsáveis pela produção de mais de 80% das amêndoas no mundo. Nos últimos seis anos, a CCD dizimou cerca de 10 milhões de colmeias do país. A taxa de mortalidade das colônias é de 30% ao ano: das 6 milhões de abelhas existentes em 1947, restam hoje não mais que 2,5 milhões.
Desastre global. O declínio da população de abelhas foi notado em 2006, nos EUA. Quando a Europa acordou para o problema, em 2007, a CCD já atingia Alemanha, França, Itália, Espanha, Portugal. Ouviam-se notícias sobre o desastre no Canadá, Austrália, Brasil, e até mesmo o desaparecimento de 10 milhões de abelhas em Taiwan. “Sim, é um fenômeno global”, confirma Carlo Polidori, pesquisador do Museu Nacional de Ciências Naturais de Madri, na Espanha, onde as perdas chegam a 90%, em algumas regiões. As últimas notícias são de julho, na província canadense de Ontário, onde se perderam 37 milhões de insetos.
No Chile, onde até o ano passado a versão oficial era de que não havia evidências da existência da CCD, apicultores da região de BioBio registraram, em maio, a perda de milhões de abelhas. Como no Brasil, as chamadas externalidades negativas do modelo de exportação agroindustrial atingem em cheio o pequeno criador.
A abandonada fábrica de pesticidas da Union Carbide em Bophal, na Índia


No Brasil. Registros sobre mortalidade súbita de abelhas encontram-se no país desde 2007 – no Piauí, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Minas Gerais, São Paulo. Todos ligados à exposição de pesticidas nas cercanias de áreas de monocultura – de tabaco, soja, cana, milho, laranja. “Os laranjais, que já foram importante fonte de néctar para a produção de mel, são hoje perigosos, dada a quantidade de agrotóxicos usada para combater doenças como o greening”, afirma o geneticista David De Jong, doutor pela Universidade de Cornell (EUA) e professor da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto (SP).
Em Santa Catarina, em 2011, morreram por causas desconhecidas um terço das 300 mil colmeias existentes no estado. “Quem sente mais são as 30 mil famílias que dependem da produção de mel. Sua perda foi estimada em 6 mil toneladas”, afirma o presidente da Federação dos Apicultores e Meliponicultores do Estado, Nésio Fernandes de Medeiros. Na região de Dourados (MS), desapareceram no início deste ano cerca de 3,5 milhões de abelhas, produtoras de uma tonelada anual de mel. “Há forte suspeita de que foi provocada pela aplicação de um inseticida da classe dos neonicotinoides em um canavial”, considera Osmar Malaspina, professor da Unesp de Rio Claro (SP).
Não surpreende, assim, que nos últimos dois anos o Brasil tenha caído da 5a para a 10a posição no ranking mundial de exportadores de mel. “Menosprezamos o serviço ecológico que as abelhas nos prestam”, observa Afonso Inácio Orth, professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Já em 2011 se verificava a falta de abelhas para polinizar maçãs naquele estado. O mesmo ocorre com o pepino, o melão e a melancia. Por polinização insuficiente, além de nascerem frutos com formato e sabor alterados, tem havido perda de produção de laranja, algodão, soja, abacate, café. “Através de experiências controladas verificamos que, onde colocamos mais abelhas, aumenta a produção. Na cultura de maracujá estão tendo de polinizar com a mão, por falta de abelhas”, informa De Jong.
Causas. As causas propostas são diversas: inseticidas e fungicidas, déficit nutricional associado à carência de flora natural, mudanças climáticas, manejo intensivo das colmeias, baixa variabilidade genética, vírus, fungos, bactérias e ácaros – juntas ou separadamente. Até a emissão eletromagnética de celulares já foi investigada, sem resultados conclusivos. Mas o principal fator do desastre, concordam estudiosos, é a classe de agroquímicos denominada neonicotinoides: clotidianidina e imidacloprida, fabricados pela Bayer, e tiametoxan, da Syngenta – neurotoxinas que atingem o sistema nervoso dos insetos, prejudicando olfato e memória.
“Os pesticidas são causa de perdas importantes, com certeza”, afirma David De Jong.“Temos situações de toxicidade aguda, em que as abelhas morrem de uma vez, logo após a aplicação do agrotóxico. Mas há outras em que doses subletais podem fazê-las perder o rumo e não voltar ao ninho. Doses baixas de inseticidas também enfraquecem o sistema imunológico da abelha. O fato é que, com os novos inseticidas do grupo dos neonicotinoides, estamos definitivamente perdendo muitas abelhas Apis mellifera e espécies de abelhas nativas”, adverte o pesquisador.
A avaliação confirma pesquisa realizada na Universidade de Stirling, no Reino Unido, pela equipe do professor David Goulson. O estudo comprova que os neonicotinoides, associados a parasitas e à destruição de habitats ricos em flores que servem de alimento às abelhas, são as principais razões para a perda das colônias. “Abelhas mal nutridas parecem ser mais suscetíveis a patógenos, parasitas e outros estressores, inclusive toxinas”, confirma o relatório de 2012 do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA). De fato, boa nutrição é essencial para as abelhas: o avanço das monoculturas tem para elas um efeito devastador.
O presidente da Confederação Brasileira de Apicultores (CBA) e da câmara setorial do mel em Brasília, José Cunha, revela que “esses agrotóxicos são sistêmicos. A planta se desenvolve e o produto tóxico vai para seiva, pólen, néctar, permanecendo no solo durante anos. Mesmo na rotação de culturas continua presente, atingindo o lençol freático. Os polinizadores estão pagando um preço muito alto, é um passivo ambiental incalculável”. Para Suso Asorey, secretário da Associação de Apicultores Galegos (AGA), “a colocação no mercado destes pesticidas neurotóxicos sistêmicos coincide com perdas de até 40% das colmeias.”
Estudo da Universidade de Maryland e do USDA chega a resultados ainda mais graves. Ao contaminar o pólen, misturas de pesticidas e fungicidas, algumas de até 21 tipos, levam as abelhas a perder a resistência ao parasita Nosema ceranae, relacionado à CCD. “A questão é mais complexa do que fomos levados a crer”, afirma Dennis van Engelsdorp, responsável pela pesquisa. “O fato de não ser um só produto significa que a solução não está em proibir apenas um tipo de agroquímico, mas que é necessário rever as práticas de pulverização agrícola”, diz ele. O Greenpeace lançou em abril o relatório Bees in Declive, no qual afirma ser crucial eliminar o uso dos agroquímicos que afetam as abelhas.
No Chile, os apicultores relacionam a mortandade dos insetos à aplicação de inseticidas já proibidos em outros países, mas que lá continuam legais – e também ao uso, como alimento das abelhas, de frutose e vitaminizadores feitos com milho transgênico.
Proibição. O que dizer do Brasil, campeão mundial no consumo de agrotóxicos, com mais de um milhão de toneladas anuais – sem contar o que é contrabandeado? Sob forte pressão do agronegócio e da indústria química, o Ibama e o Ministério da Agricultura (Mapa) proibiram o uso de agrotóxicos contendo fipronil (um pirazol) e três neonicotinoides, imidacloprido, clotianidina e tiametoxam, apenas durante o período de floração das culturas.
E só depois da interdição do uso dos neonicotinoides na Itália, França, Alemanha e Eslovênia, e de muito hesitar, é que a Comissão Europeia resolveu não ceder ao lobby da indústria e, também em abril, restringir o uso desses agroquímicos por dois anos, em todo o continente. A guerra pela salvação das abelhas está, portanto, bem longe de terminar.
Sociedade de abelhas. Existem cerca de 20 mil espécies de abelhas, entre elas as melíferas, das quais cerca de 15% são insetos sociais, com forte sentido coletivo, que vivem em colônias em torno da rainha. Há as guardiãs do ninho, as que se especializam em cuidar dos ovos e filhotes, e os que se encarregam de trazer alimentos – néctar e pólen – para a produção de mel.
Cada indivíduo é um prodígio da engenharia biológica: está equipado com sensores de temperatura, dióxido de carbono e oxigênio. Seu corpo, carregado de eletricidade estática, atrai grãos de pólen que elas levam de uma flor a outra, fertilizando-as. O fenômeno tem dimensões extraordinárias, quando examinamos o trabalho coletivo. Em um único dia, uma colmeia pode fertilizar milhões de flores, numa área correspondente a 700 hectares, equivalente a 350 campos de futebol.
Amor incondicional. Mel, pólen, própolis, geleia real são produtos do trabalho da abelha melífera que nos servem de alimento e medicina. O veneno, embora possa ser mortal, é também curativo. Na Coréia do Sul, por exemplo, os insetos são colocados diretamente no corpo, nos pontos de acupuntura, em tratamentos para artrite, reumatismo e esclerose múltipla.
Para o xamanismo, cada espécie tem um espírito grupal, e esses espíritos animais integram a consciência coletiva de todas espécies, inclusive a nossa. A abelhas possuem um sofisticado sistema de comunicação, e sua vida é inteiramente identificada com o coletivo. Seriam guias da humanidade na comunicação, organização e fortalecimento das comunidades. Para o espiritismo, são exemplo de desapego e amor incondicional. Um blog espírita português propõe fazer “um zumbido global gigante” para banir os agrotóxicos da Europa, assinando uma petição.
“As abelhas são seres cuja energia primordial é o amor e, por isso, completamente isentas de medo. Tudo o que produzem é fruto dessa energia … O mel é algo que poderíamos chamar de ‘amor líquido’ e seu uso pelos seres humanos deveria ser feito em profunda reverência”, afirmam os adeptos da Comunidade Figueira, do líder espiritual Trigueirinho, em Minas Gerais.
Habitantes da Terra há mais de 60 milhões de anos, as abelhas são um dos sistemas mais importantes de suporte à vida, e revelam a íntima interdependência entre os reinos animal, vegetal e humano. Citação atribuída a Einstein que circula na internet sugere que, se elas desaparecessem hoje do planeta, a humanidade só sobreviveria por mais quatro anos. Não por acaso, sua morte é conhecida nos EUA como Armagedon das abelhas.
Fonte:http://outraspalavras.net/destaques/o-envenenamento-das-abelhas/

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Sumiço de abelhas derruba exportações de mel do Brasil

País perdeu cinco posições no ranking mundial. Abandono das colmeias nos estados nordestinos chegou a 60%. Taxa de desaparecimento de abelhas chegou a 90% em outros estados brasileiros. 
O Brasil caiu da 5ª para a 10ª colocação mundial em exportação de mel nos últimos dois anos. O motivo foi o abandono das colmeias na região produtora mais importante do país, o Nordeste. Em 2012, alguns estados registraram queda de 90% na produção e o abandono de colmeias chegou a 60%. "A queda no Nordeste reflete diretamente nas exportações nacionais de mel. A região é uma das maiores produtoras e exportadoras do país" explica Maria de Fátima Vidal, coordenadora de estudos e pesquisas do Etene (Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste). 
Cerca de 46 mil pequenos apicultores em nove estados nordestinos vivem da atividade e, juntos, respondem por 40% da produção de mel no país – em épocas com índice normal de chuva. Por trás do sumiço das abelhas está a seca que atinge a região há pelo menos 24 meses. 
Além das alterações climáticas, bactérias e uso de agrotóxicos são citados como causas da mortalidade das abelhas no Brasil. Mas a falta de documentação sobre o desaparecimento de enxames dificulta o trabalho de controle e monitoramento da situação. 
O Banco do Nordeste prevê que o problema não deve melhorar até 2015. Neste ano, as perspectivas de pouca chuva estão se confirmando e, para o próximo, mesmo que haja precipitação normal, a recuperação das colmeias deve ser lenta. "Isso ocorre porque o período de chuvas no Nordeste é curto sendo que, quando ocorrem as floradas, os novos enxames primeiro puxam cera e fortalecem as famílias e, somente depois, no final do período chuvoso, é que começam a produzir mel", afirma Vidal, em artigo assinado pela Etene, órgão do Banco do Nordeste.
Seca no Nordeste diminuiu exportação brasileira de mel em 25%, de acordo com Etene
Seca no Nordeste diminuiu exportação brasileira de mel em 25%, de acordo com Etene
Santa Catarina bate recorde depois de perda histórica 

Os produtores de Santa Catarina também sofreram com o desaparecimento dos insetos. Em 2011, pior ano, segundo a Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), o estado produziu cerca de 4 mil toneladas, enquanto a média anual é de 6 mil. "Muitas famílias deixaram a apicultura", lembra Walter Miguel, engenheiro gerente do Centro de Desenvolvimento Apícola da Epagri. 
Cerca de 30 mil famílias atuam na atividade no estado do Sul e são responsáveis por cerca de 300 mil colméias. Em 2011, o desaparecimento de abelhas chegou a quase 100% em algumas regiões. A floração de culturas como maçã e pêra foi prejudicada por causa da ausência das abelhas. "Estima-se que mais de 10% da produção agropecuária tenha sido comprometida pela falta das polinizadoras", destaca Miguel. Nessa parte do Brasil, o frio foi um dos principais motivos que ocasionou o sumiço dos insetos. 
Após ações de manejo e orientação dos apicultores, as abelhas retornaram e a produção bateu recorde na última safra: 7 mil toneladas. Além do frio intenso, doenças, manejo inadequado e uso de agrotóxicos contribuíram para a queda da produtividade e sumiço dos insetos. Situação que preocupa pesquisadores, entidades governamentais e apicultores de todo o Brasil. 
Síndrome do Colapso das Abelhas 
Em países como Estados Unidos, Canadá, Japão, Índia e em nações da União Europeia, o problema é caracterizado como Síndrome do Colapso das Abelhas (CCD, sigla em inglês para Colony Collapse Disorder). Trata-se de um abandono repentino e massivo de colmeias. A situação é grave e, em estados norte-americanos chegou a comprometer a produção agrícola, já que a floração é feita quase que exclusivamente através desse inseto. De acordo com a Confederação Brasileira de Apicultura (CBA), entre 2007 e 2008 aquele país perdeu cerca de 1 milhão de abelhas. 
"Hoje, sabe-se que elas desempenham um papel fundamental na agropecuária. Cerca de 80% de tudo o que é consumido no mundo é polinizado pelas abelhas. A ausência delas reflete-se com impacto direto sobre a agricultura", afirma Walter Miguel, engenheiro agrônomo gerente do Centro de Desenvolvimento Apícola da Epagri.
Ibama investiga ação dos agrotóxicos neonicotinóides e seus efeitos sobre o organismo das abelhas
Ibama investiga ação dos agrotóxicos neonicotinóides e seus efeitos sobre o organismo das abelhas
Agrotóxicos estão entre as causas do sumiço de enxames 
Márcio Freitas, coordenador geral de avaliação de substâncias tóxicas do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), explica que até o momento há dois casos que se assemelham com CCD no país, em São Paulo e Minas Gerais. 
Segundo o especialista, a falta de dados concretos de todas as regiões brasileiras compromete a análise das causas do desaparecimento das abelhas. "Como em muitas regiões do país, a apicultura não ocorre de forma organizada, por isso, muitos casos de desaparecimento não são documentados. Há cerca de cem casos informados ", comenta Freitas. 
Apesar de descartar o CCD, o Ibama indica que os defensivos agrícolas estão entre os três principais causadores do desaparecimento de abelhas no Brasil. Eles matam os insetos imediatamente após a aplicação ou afetam seu sistema sensor, fazendo com que ele não consiga retornar à colmeia, enfraquecendo o enxame. 
Desde 2010, a entidade analisa três tipos de neonicotinóides, defensivos agrícolas apontados por estudos internacionais como causadores deste fenômeno. Caso se confirme os efeitos nocivos, medidas mais rigorosas para proteger os insetos devem ser adotadas. A expectativa é que, até 2014, os primeiros resultados conclusivos estejam prontos. Em 2012, uma portaria do Ibama restringiu o uso destas substâncias durante o período de floração. 
Em abril de 2013, 15 dos 27 países da União Europeia suspenderam o uso desses defensivos agrícolas. José Cunha, presidente da CBA, garante que existe um esforço conjunto entre os órgãos apícolas e o setor agrícola para mitigar os efeitos dos agrotóxicos sobre os polinizadores. "O Brasil não pode se desenvolver sem o agronegócio e o meio ambiente não vive sem os polinizadores", analisa, Ele enfatiza que, se forem adotadas medidas de fomento e proteção à atividade, a produção anual pode pular de 50 mil para 200 mil toneladas no país.
Fonte:http://www.dw.de/sumi%C3%A7o-de-abelhas-derruba-exporta%C3%A7%C3%B5es-de-mel-do-brasil/a-17069329

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Programa do Mel de meliponas é lançado por Tião Viana no Vale do Juruá no Acre

O governador Tião Viana lançou nesta quinta-feira, 25, na Vila Santa Luzia, o Programa da Meliponicultura (Foto: Gleilson Miranda/Secom)
O governador Tião Viana lançou nesta quinta-feira, na Vila Santa Luzia, o Programa da Meliponicultura (Foto: Gleilson Miranda/Secom)
Agregar renda sem desmatar a floresta nativa e preservando a biodiversidade. Essa é uma das propostas do governo do Acre ao incentivar a produção de mel de abelha sem ferrão na região do Vale do Juruá. Para isso, o governador Tião Viana e o vice-governador César Messias lançaram nesta quinta-feira, 25, na Vila Santa Luzia, o Programa da Meliponicultura ou Programa do Mel, desenvolvido pela Secretaria de Pequenos Negócios (SEPN).
A secretária adjunta de Pequenos Negócios, Silvia Monteiro, acompanhou Tião Viana e César Messias na solenidade de lançamento do programa. No lançamento foram entregues mil caixas de mel aos produtores.
“Isso é parte de um grande esforço em diversas ações na área de produção e pequenos negócios que o governo do Estado faz para que os produtores rurais do Acre tenham melhorias na sua renda, que se consolidem numa classe média rural com dignidade para criar seus filhos, para ter uma vida com mais tranquilidade”, afirmou Tião Viana.
Silvia Monteiro explicou que 1.400 famílias foram capacitadas para criar abelhas sem ferrão. Além disso, serão distribuídas 14.600 colmeias.
A secretária adjunta de Pequenos Negócios, Silvia Monteiro, acompanhou Tião Viana (Foto: Gleilson Miranda/Secom)
A secretária adjunta de Pequenos Negócios, Silvia Monteiro, acompanhou Tião Viana (Foto: Gleilson Miranda/Secom)
César Messias afirmou que um simples gesto pode fazer toda a diferença para agricultores que vivem do que produzem em suas pequenas propriedades.
“Quando a gente olha para essa caixinha pequenininha a gente não imagina a importância delas. Mas vejam só os cálculos, nós temos 14.600 caixas multiplicados por 5 litros de mel por ano dá 73 mil litros de mel, agora a gente multiplica isso por R$ 60, que é o preço que vende o litro do mel nessa região, e nós teremos R$ 4,3 milhões em produção de mel e isso estamos botando o valo por baixo. Isso muda a qualidade de vida dessas pessoas”, acrescentou o vice-governador.
Boas expectativas
Um dos beneficiados com a entrega das caixas para criação de abelhas foi o produtor rural Erasmo Pedrosa. “Trabalho com roçado, mas agora fiz um curso para poder trabalhar nessa atividade de produção de abelha. Isso é muito gratificante. Com esse investimento e o treinamento eu acredito que vai melhorar a minha renda e de muitas pessoas. As pessoas estão muito satisfeitas com essa ajuda do governo”, declarou o produtor.
Foram entregues mil caixas de mel aos produtores (Foto: Gleilson Miranda/Secom)

Foram entregues mil caixas de mel aos produtores (Foto: Gleilson Miranda/Secom)


O presidente da Assembleia Legislativa do Acre (Aleac), Élson Santiago, também tem boas expectativas para a cadeia produtiva do mel. Ele acredita que muitas famílias poderão aumentar o faturamento mensal com a atividade sem precisar deixar de lado outras atividades produtivas.
“A abelha fará parte do trabalho e o produtor só terá que colher o mel e vender. O governador está de parabéns por incentivar a produção de mel aqui no Acre”, frisou o parlamentar.
Avanços na produção
A secretária adjunta frisou que em Cruzeiro do Sul a atividade de produção com incentivos da SEPN de mel iniciou em 2011 e desde então já foi implantada em sete comunidades com benefícios a 143 produtores.
“O programa expandiu com a ajuda que o governo do Acre está recebendo do governo federal, da presidenta Dilma e, com isso, a secretaria está beneficiando cerca de 500 famílias dos municípios de Mâncio Lima e Rodrigues Alves, por meio do programa”, detalhou Silvia Monteiro.
Além de Cruzeiro do Sul, o Programa do Mel está sendo desenvolvido nos municípios de Sena Madureira, Manoel Urbano, Feijó, Tarauacá, Mâncio Lima, Rodrigues Alves, Porto Walter, Marechal Thaumaturgo, Jordão e Santa Rosa.
O programa de Meliponicultura é desenvolvido pelo governo, por meio da Secretaria de Pequenos Negócios e em parceria com a Secretaria de Extensão Agroflorestal e Produção Familiar (Seaprof), Instituto Dom Moacyr e Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar).

sábado, 10 de agosto de 2013

PROCESSO DE ENXAMEAÇÃO NATURAL DE ABELHAS SOCIAIS SEM FERRÃO (ASSF)



O processo enxameação natural de abelhas sociais sem ferrão (ASSF), ainda é cercado de mistério e dúvidas, até porque não se trata de um fenômeno matemático e exato, podendo sofrer variações devido a inúmeros fatores como: distância do substrato de nidificação, época do ano, tamanho do enxame, genética, temperatura, etc. Fora isso se trata de um grupo muito diverso, com cerca de 400 espécies podendo ter variações temporais e de comportamento distintos. Necessitando de um conhecimento mais amplo sobre as estratégias reprodutiva das ASSF, como a existência de casos de quando há uma grande oferta de princesas, estas saem de seu ninho são copuladas e/ou fecundadas por diversos zangões, entram em outros ninhos órfãos, onde são aceitas e tornam-se as rainhas dessas colônias. Todavia o processo de multiplicação mais comum dos ninhos na natureza é feito através do processo de enxameação no qual as operarias após encontrem um novo local para a construção de ninhos, começam a aprovisionar alimento e construírem  o ninho propriamente dito, uma ou mais princesas acompanhada por operárias e zangões para lá se desloca m iniciando  um novo enxame.

Foto*: Princesa de Mqa sendo copulada, foi observado a cópula por mais de mais de 20 zangões diferentes com essa princesa, evidenciando uma "possível" diversidade de variabilidade genética em um mesmo enxame.  
Como falei anteriormente esse processo não ocorre igualmente nem mesmo dentro da mesma espécie, veja lá em se tratando de 400, já acompanhei processos em meliponas que duraram cerca de 40 dias para inicio da postura da rainha e outros mais que isso.
Abaixo observem um processo cronológico de desenvolvimento de Melipona quadrifasciata anthidioide,  acompanhado pelo meliponicultor da cidade de Canarana Thiego Novaes.

Dia 1 inicio do processo de enxameação.   

10° dia do enxameamento
22° dia do inicio do enxameamento, já tem reserva de alimento lá no fundo.
22° Maior numero de postura, começando estabilizar.
35° dia do início da enxameação, já com bastante suprimentos e não tem mais necessidade de recorrer ao enxame  mãe.
35° dia do início da enxameação.
Enxame de MQA estabilizado após 3 meses do enxameamento.
Fotos: Thiego Novaes
Foto*: Márcio Pires
 
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