Quem Somos
O Meliponário Rei da Mandaçaia é um empreendimento familiar especializado na criação, conservação e manejo de Abelhas Nativas Sem Ferrão, com ocorrência natural no estado da Bahia, estamos a mais de 30 anos criando, multiplicando e contribuído para preservação destes pequenos magníficos animais.
O nosso empreendimento é cadastrado no IBAMA CTF: 1681253 e na Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (ADAB), e enquadrado na Lei Estadula: Nº 13.905 DE 29 DE JANEIRO DE 2018.
Aqui em nosso site é possível encontrar fotos da produção e muitas informações a cerca desta atividade, nosso meliponário principal está situado no Distrito de Hidrolândia - Uibaí e em Cruz das Almas no Recôncavo da Bahia.
Responsáveis Técnicos Eng. Agrônomos:
MSc. Márcio Pires de Oliveira /CREA:BA40051
Dra. Polyana Carneiro dos Santos
Email: meliponarioreidamandacaia@hotmail.com
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quinta-feira, 14 de abril de 2016
ABELHAS AJUDAM A AUMENTAR A PRODUTIVIDADE AGRÍCOLA
domingo, 21 de junho de 2015
Cientistas do mundo todo tentam descobrir porque as abelhas estão desaparecendo.
Fonte: Tv Unesp
Por: Felipe Tristão
Cientistas do mundo todo tentam descobrir porque as abelhas estão desaparecendo.
segunda-feira, 5 de janeiro de 2015
MMA e ICMBio divulgam novas listas de espécies ameaçadas de extinção, dentre elas três Meliponas
Brasília (17/12/2014) — A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, apresentou na tarde desta quarta-feira (17) as novas Listas Nacionais de Espécies Ameaçadas de Extinção. O anúncio aconteceu no auditório do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), em Brasília. Na ocasião, foram divulgadas a Lista de Espécies da Flora Brasileira Ameaçadas de Extinção, produzida pelo Jardim Botânico do Rio de Janeiro, e a Lista de Espécies da Fauna Brasileira Ameaçadas de Extinção, elaborada pelo ICMBio.
Durante o evento, a ministra assinou duas Portarias que formalizam as listas de espécies ameaçadas. "Esse é um dos momentos mais importantes da minha gestão. Houve uma mudança de postura institucional diante das espécies ameaçadas a partir do Programa Pró-Espécies, que se tornou uma referência", frisou Izabella.
O presidente do ICMBio, Roberto Vizentin, destacou as parcerias do estudo: "Ao todo, 1.383 especialistas da comunidade científica de mais de 200 instituições estiveram envolvidos nesse processo. Com a lista pronta, temos uma melhor condição para definir ações de proteção da fauna", afirma.
Dentre os dados apresentados, destacam-se as 170 espécies da fauna que saíram da lista de animais ameaçados de extinção, a exemplo da baleia-jubarte (Megaptera novaeangliae) e da arara-azul-grande (Anodorhynchus hyacinthinus), que tiveram suas populações recuperadas. De acordo com as pesquisas, alguns fatores contribuíram para esse quadro: espécies extintas reencontradas, ampliação do conhecimento sobre as espécies e aumento populacional ou de proteção do habitat. Conduzido pela Coordenação Geral de Manejo para Conservação do ICMBio, o mapeamento da fauna brasileira é resultado de um processo contínuo de trabalho, iniciado em 2009. Tendo como base a metodologia adotada pela União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), foram realizadas 73 oficinas de avaliação, seguidas da edição das informações coletadas e da etapa de validação dos métodos aplicados.
Os pesquisadores incluíram 720 novas espécies na lista, totalizando 1.173 espécies ameaçadas, que se subdividem em três categorias: Criticamente em Perigo (CR), Em Perigo (EN) e Vulnerável (VU). Houve um aumento em relação às avaliações anteriores, realizadas em 2003 e 2004, que contabilizaram 627 espécies ameaçadas. Naquele momento, entretanto, o universo contemplado era bastante reduzido – apenas 1.137 espécies foram analisadas.
Além do diretor Marcelo Marcelino, acompanharam a ministra durante a apresentação o presidente do ICMBio, Roberto Vizentin; o secretário de Biodiversidade e Florestas do MMA, Roberto Cavalcanti; o coordenador do Centro Nacional de Conservação da Flora (CNCFlora) do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, Gustavo Martinelli – que apresentou dados sobre a flora brasileira e a diretora do Departamento de Florestas do MMA, Giovanna Palazzi – que apresentou a situação dos peixes e invertebrados aquáticos.
sábado, 20 de dezembro de 2014
Ecoideias - Abelhas
As abelhas são consideradas um indicador natural de equilíbrio ambiental e ainda produzem mel e própolis, muito usados na alimentação humana. Elas também são grandes responsáveis por polinizar a maioria das frutas que comemos e 73% das espécies vegetais cultivadas no mundo são polinizadas por alguma espécie de abelha. Fomos até a Unesp de Bauru para conversar com o jovem pesquisador Zenon Zago, que estuda a rotina de diferentes abelhas nativas da região e nos conta sobre o comportamento das abelhas, sua situação atual e como podemos ajudar a preservá-las. Já o Altair é apicultor em Bauru e nos conta sobre sua experiência na extração de mel e própolis.
Veja a reportagem:
https://www.youtube.com/watch?v=Vi5_5qS1ZDE
quinta-feira, 23 de outubro de 2014
Em SP, nova técnica de polinização ajuda os produtores de morango
Globo Rural - Thiago Ariosi
quinta-feira, 25 de setembro de 2014
Força-tarefa internacional fará diagnóstico sobre polinização no mundo
O escopo do projeto foi apresentado no dia 17 de setembro de 2014 em São Paulo (SP), no auditório da Fapesp, em um encontro de integrantes do organismo intergovernamental independente, voltado a organizar o conhecimento sobre a biodiversidade no mundo e os serviços ecossistêmicos.
"Já estamos conhecendo melhor o problema [da crise da polinização no mundo]. Agora, precisamos identificar soluções", disse a pesquisadora, que coordena a avaliação ao lado de Simon Potts, professor da University of Reading, do Reino Unido.
De acordo com Fonseca, há mais de 100 mil espécies de animais invertebrados polinizadores no mundo, dos quais 20 mil são abelhas. Além de insetos polinizadores -- que serão o foco do relatório --, há também cerca de 1,2 mil espécies de animais vertebrados, tais como pássaros, morcegos e outros mamíferos, além de répteis, que atuam como polinizadores.
Estima-se que 75% dos cultivos mundiais e entre 78% e 94% das flores silvestres do planeta dependam da polinização por animais, apontou a pesquisadora.
"Há cerca de 300 mil espécies de flores silvestres que dependem da polinização por insetos", disse Fonseca. "O valor anual estimado desse serviço ecossistêmico prestado por insetos na agricultura é de US$ 361 bilhões. Mas, para a manutenção da biodiversidade, é incalculável", afirmou.
Nos últimos anos registrou-se uma perda de espécies nativas de insetos polinizadores no mundo, causada por, entre outros fatores, desmatamento de áreas naturais próximas às lavouras, uso de pesticidas e surgimento de patógenos.
Se o declínio de espécies de insetos polinizadores se tornar tendência, pode colocar em risco a produtividade agrícola e, consequentemente, a segurança alimentar nas próximas décadas, disse a pesquisadora.
"A população mundial aumentará muito até 2050 e será preciso produzir uma grande quantidade de alimentos com maior rendimento agrícola, em um cenário agravado pelas mudanças climáticas. A polinização por insetos pode contribuir para solucionar esse problema", afirmou Fonseca.
Segundo um estudo internacional, publicado na revista Current Biology, estima-se que o manejo de colmeias de abelhas utilizadas pelos agricultores para polinização -- como as abelhas domésticas Apis mellifera L, amplamente criadas no mundo todo -- tenha aumentado em cerca de 45% entre 1950 e 2000.
As áreas agrícolas dependentes de polinização, no entanto, também cresceram em mais de 300% no mesmo período, apontam os autores da pesquisa.
"Apesar de ter aumentado o manejo de espécies de abelhas polinizadoras, precisamos muito mais do que o que temos no momento para atender às necessidades da agricultura", avaliou Fonseca.
O declínio das espécies de polinizadores no mundo estimula a polinização manual em muitos países. Na China, por exemplo, é comum o comércio de pólen para essa finalidade, afirmou a pesquisadora.
"Na ausência de animais para fazer a polinização, tem sido feita a polinização manual de lavouras de culturas importantes, como o dendê e a maçã. No Brasil se faz a polinização manual de maracujá, tomate e de outras culturas", disse.
Falta de dados
Segundo Fonseca, já há dados sobre o declínio de espécies de abelhas, moscas-das-flores (sirfídeos) e de borboletas na Europa, nos Estados Unidos, no Oriente Médio e no Japão.
Um estudo internacional, publicado no Journal of Apicultural Research, apontou perdas de aproximadamente 30% de colônias de Apis mellifera L em decorrência da infestação pelo ácaro Varroa destructor, que diminui a vida das abelhas e, consequentemente, sua atividade de polinização nas flores, em especial nos países do hemisfério Norte.
Na Europa, as perdas de colônias de abelhas em decorrência do ácaro podem chegar a 53% e, no Oriente Médio, a 85%, indicam os autores do estudo. No entanto, ainda não há estimativas sobre a perda de colônias e de espécies em continentes como a América do Sul, África e Oceania.
"Não temos dados sobre esses continentes. Precisamos de informações objetivas para preenchermos uma base de dados sobre polinização em nível mundial a fim de definir estratégias de conservação em cada país", avaliou Fonseca. "Também é preciso avaliar os efeitos de pesticidas no desaparecimento das abelhas em áreas agrícolas, que têm sido objeto de estudos e atuação dos órgãos regulatórios no Brasil."
Outra grande lacuna a ser preenchida é a de estudos sobre interações entre espécies de abelhas polinizadoras nativas com as espécies criadas para polinização, como as Apis mellifera L.
Um estudo internacional publicado em 2013 indicou que, quando as Apis mellifera L e as abelhas solitárias atuam em uma mesma cultura, a taxa de polinização aumenta significativamente, pois elas se evitam nas flores e mudam mais frequentemente de local de coleta de alimento, explicou Fonseca.
De acordo com a pesquisadora, uma solução para a polinização em áreas agrícolas extensas tem sido o uso de colônias de polinizadores provenientes da produção de colônias em massa, como de abelhas Bombus terrestris, criadas em larga escala e inclusive exportadas.
Em 2004, foi produzido 1 milhão de colônias dessa abelha para uso na agricultura.
Na América do Sul, o Chile foi o primeiro país a introduzir essas abelhas para polinização de frutas e verduras. Em algumas áreas onde foi introduzida, entretanto, essa espécie exótica de abelha mostrou ser invasora e ter grande capacidade de ocupar novos territórios.
"É preciso estudar mais a interação entre as espécies para identificar onde elas convivem, qual a contribuição de cada uma delas na polinização e se essa interação é positiva ou negativa", indicou Fonseca.
"Além disso, a propagação de doenças para as espécies nativas de abelhas causa preocupação e deve ser um foco da pesquisa nos próximos anos", indicou.
Problema global
De acordo com Fonseca, a avaliação intitulada Polinizadores, polinização e produção de alimentos, do IPBES, está em fase de redação e deverá ser concluída no fim de 2015.
Além de um relatório técnico, com seis capítulos de 30 páginas cada, a avaliação também deverá apresentar um texto destinado aos formuladores de políticas públicas sobre o tema, contou.
"A avaliação sobre polinização deverá contribuir para aumentar os esforços de combate ao problema do desaparecimento de espécies de polinizadores no mundo, que é urgente e tem uma relevância política e econômica muito grande, porque afeta a produção de alimentos", afirmou.
A avaliação será o primeiro diagnóstico temático realizado pelo IPBES e deverá ser disponibilizada para o público em geral em dezembro de 2015. O painel planeja produzir nos próximos anos outros levantamentos semelhantes sobre outros temas como espécies invasoras, restauração de habitats e cenários de biodiversidade no futuro.
Uma estratégia adotada para tornar os diagnósticos temáticos mais integrados foi a criação de forças-tarefa -- voltadas à promoção da capacitação profissional e institucional, ao aprimoramento do processo de gerenciamento de dados e informações científicas e à integração do conhecimento tradicional indígena e das pesquisas locais aos processos científicos --, que deverão auxiliar na produção do texto final.
"O IPBES trabalha em parceria com a FAO [Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação], Unep [Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente], CBD [Convention on Biological Diversity], Unesco [Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura] e todos os esforços anteriores que trataram do tema de polinização", afirmou Fonseca.
A polinização foi o primeiro tópico a ser escolhido pelos países-membros da plataforma intergovernamental, entre outras razões, por ser um problema global e já existir um grande número de estudos sobre o assunto, contou Carlos Joly, coordenador do Programa Fapesp de Pesquisas em Caracterização, Conservação, Restauração e Uso Sustentável da Biodiversidade (BIOTA-Fapesp) e membro do Painel Multidisciplinar de Especialistas do IPBES.
"Como já há um arcabouço muito grande de dados sobre esse tema, achamos que seria possível elaborar rapidamente uma síntese. Além disso, o tema tem um impacto global muito grande, principalmente por estar associado à produção de alimentos", avaliou Joly.
Os 75 pesquisadores participantes do projeto foram indicados pelo Painel Multidisciplinar de Especialistas do IPBES, que se baseou nas indicações recebidas dos países-membros e observadores da plataforma intergovernamental.
Dois do grupo são escolhidos para coordenar o trabalho, sendo um de um país desenvolvido e outro de uma nação em desenvolvimento.
"O convite e a seleção da professora Vera Imperatriz Fonseca como coordenadora da avaliação é reflexo da qualidade da ciência desenvolvida nessa área no Brasil e da experiência dela em trabalhar com diagnósticos nacionais", avaliou Joly. "Gostaríamos de ter mais pesquisadores brasileiros envolvidos na elaboração dos diagnósticos do IPBES."
Leia mais sobre a reunião do IPBES na sede da Fapespneste link.
FONTE
Agência Fapesp
Elton Alisson - Jornalista
Genoma revela origem e evolução das abelhas produtoras de mel
| A polinização pelas abelhas é essencial tanto do ponto de vista ecológico como econômico |
O estudo não é o primeiro a mostrar que as nossas abelhas são, do ponto de vista genético, mais africanas do que europeias. Zilá conta que o biólogo Marco Del Lama, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), já tinha mostrado a mesma coisa com estudos bioquímicos da enzima malato desidrogenase. É claro que agora, com mais dados, a conclusão tem muito mais força.
Segundo a pesquisadora de Ribeirão Preto, o projeto que desembocou na publicação desta semana surgiu há três anos num congresso na Dinamarca, em que Matthew Webster propôs fazer uma amostragem extensa para verificar a interpretação anterior, por outro grupo de pesquisa, de que as abelhas teriam surgido na África e colonizado a Europa por meio de três ondas migratórias. Para isso, eles sequenciaram o genoma completo de 140 amostras de abelhas oriundas de 14 populações distintas, inclusive a brasileira. Os resultados não apenas mudam o provável continente de origem, mas também quando isso teria acontecido. De acordo com o grupo sueco, os grandes grupos de Apis mellifera (um africano, dois europeus e um no Oriente Médio e na Ásia ocidental) se separaram há cerca de 300 mil anos, e não 1 milhão de anos como foi proposto antes. Ao longo desse tempo, a população europeia diminuiu durante as glaciações e depois voltou a aumentar.
Além de rever a origem das abelhas responsáveis pela polinização de uma parte importante das plantas que compõem a dieta humana, o trabalho detectou a ação da seleção natural em uma série de genes, como a eficiência maior dos espermatozoides nos zangões africanos quando comparados aos europeus. Essa vantagem é essencial numa espécie na qual a rainha, responsável por praticamente toda a reprodução de uma colmeia, cruza com vários machos – criando um ambiente de competição entre os espermatozoides.
Junto com a maior mobilidade das abelhas em si, que na África formam colônias menores e com maior capacidade de dispersão do que na Europa, a mesma característica entre os espermatozoides pode explicar a predominância de características africanas nas abelhas brasileiras. Zilá lembra que antes do incidente que originou a hibridização nos anos 1960, quando abelhas africanas escaparam das colmeias mantidas pelo geneticista Warwick Kerr na Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Rio Claro, as abelhas de origem europeia viviam apenas no sul do Brasil, por não tolerarem muito calor. Depois da africanização, esses insetos rapidamente se disseminaram pelo país.
Outra surpresa nos resultados foi mostrar que, apesar de ser uma espécie domesticada, Apis mellifera não teve sua diversidade genética reduzida, o que costuma acontecer quando criadores fazem cruzamentos privilegiando determinadas características desejadas. O trabalho não explica por que isso acontece.
Um aspecto importante do estudo é a possibilidade de proteger as abelhas do declínio que vêm sofrendo por uma combinação de fatores, como doenças e mudanças no clima (ver Pesquisa FAPESP nº 137). Os genes sujeitos à pressão de seleção mostram que as abelhas africanas têm uma vantagem imunológica que as torna mais resistentes ao ácaro Varroa, e possivelmente a outros agentes infecciosos. Essa resistência também é comportamental, porque a variedade da África é mais eficiente na limpeza da colmeia, removendo companheiras mortas com rapidez. Para Zilá, não se pode preservar um organismo sem conhecê-lo e, nesse sentido, o estudo pode ter um impacto positivo, mesmo que não imediato. Ela explica que no futuro, os genes identificados poderão ser empregados em programas de cruzamentos que visem aumentar a resistência às doenças, a produtividade e a capacidade de polinização, importante por ser essencial à produção agrícola e manutenção dos ecossistemas naturais.
WALLBERG, A. et al. A worldwide survey of genome sequence variation provides insight into the evolutionary history of the honeybee Apis mellifera. Nature Genetics, on-line 24 ago 2014.
terça-feira, 19 de agosto de 2014
Abelhas vigiadas
A população de abelhas registra um expressivo declínio em vários países, inclusive no Brasil. Em agosto do ano passado, a revista Time trazia na capa um alerta para o risco de desaparecimento das abelhas melíferas, com a chamada “O mundo sem abelhas” e o alerta: “O preço que pagaremos se não descobrirmos o que está matando as melíferas”. O desaparecimento das fabricantes de mel preocupa não só pela ameaça à existência desse produto, mas também porque as abelhas têm chamado a atenção principalmente pelo importante papel que representam na produção de alimentos. Não é para menos. Elas são responsáveis por 70% da polinização dos vegetais consumidos no mundo ao transportar o pólen de uma flor para outra, que resulta na fecundação das flores. Algumas culturas, como as amêndoas produzidas e exportadas para o mundo inteiro pelos Estados Unidos, dependem exclusivamente desses insetos na polinização e produção de frutos. A maçã, o melão e a castanha-do-pará, para citar alguns exemplos, também são dependentes de polinizadores.
| Zangão da espécie Apis mellifera africanizada com microssensor colado no tórax |
| Foto:VALE/CSIRO |
Na busca por respostas que ajudem a combater o problema, o Instituto Tecnológico Vale (ITV), em Belém, no Pará, desenvolveu em colaboração com a Organização de Pesquisa da Comunidade Científica e Industrial (CSIRO), na Austrália, microssensores – pequenos quadrados com 2,5 milímetros de cada lado e peso de 5,4 miligramas –, que são colados no tórax das abelhas da espécie Apis mellifera africanizada (abelhas com ferrão resultantes de variedades europeias e africanas) para avaliação do seu comportamento sob a influência de pesticidas e de eventos climáticos. Uma parte do experimento está sendo conduzida na Austrália e a outra no Brasil.
Como as melíferas australianas pesam em torno de 105 miligramas, o sensor representa cerca de 5% do seu peso. Já as abelhas da mesma espécie que vivem no Brasil pesam cerca de 70 miligramas – o que levou os pesquisadores a fazerem testes em túneis de vento para avaliar se o sensor poderia ter influência sobre a sua capacidade de voo. “Avaliamos a batida das asas e a inclinação do corpo em abelhas com o sensor e sem ele, e verificamos que não houve alteração na capacidade de voar”, diz Souza.
| Tamanho do microssensor comparado com moeda de R$ 1 |
“Cada sensor tem um código gravado, que funciona como se fosse uma identidade de cada abelha”, diz Souza. Com ele é possível avaliar, em detalhes, todos os indivíduos da colmeia. Concluída essa etapa da pesquisa, um segundo estudo terá início, desta vez com abelhas nativas sem ferrão do Pará, que parecem sofrer mais o impacto da alteração climática do que as europeias. Embora não sejam grandes produtoras de mel, elas são excelentes polinizadores. Como as abelhas têm um ciclo de vida relativamente curto, de cerca de dois meses, será possível acompanhar várias gerações.
| Físico Paulo de Souza segura uma colmeia no Pará |
O microssensor é composto por um chip com memória de armazenamento de 500 mil bytes – suficiente para guardar dados a cada segundo por quase uma semana –, uma antena e uma bateria. As informações sobre o movimento das abelhas captadas pelo chip são retransmitidas para antenas instaladas no entorno da colmeia e em estações de alimentação, e depois transferidas para um centro de controle. Com os dados coletados no campo, os pesquisadores constroem um modelo tridimensional da movimentação dos insetos que permite saber se eles estão agindo naturalmente ou se, por algum motivo, estão desorientados e não conseguem retornar aos seus locais de origem.
Cada antena custa cerca de US$ 300, o que torna a técnica mais aplicável em comparação com outros dispositivos similares, cujo preço varia em torno de US$ 10 mil. “O próprio chip, de US$ 0,30, é muito mais barato do que os que estão no mercado e são vendidos a US$ 6.” O físico ressalta que, desde o início, eles sempre buscaram um processo de manufatura que permitisse a produção em escala industrial ao menor preço possível.
A próxima geração de chips, em fase final de desenvolvimento, será capaz de gerar e armazenar a sua própria energia e também de captar a temperatura, umidade e insolação do ambiente. Os planos não param por aqui. “Queremos desenvolver, em quatro anos, um chip do tamanho de um grão de areia para monitoramento de mosquitos transmissores da dengue e malária”, diz Souza. Entre as várias estratégias estudadas para a aplicação desse diminuto equipamento, a mais promissora, na avaliação do pesquisador, é lançar um jato de spray sobre os insetos.
O comportamento das abelhas também é o foco de vários estudos conduzidos por um grupo de 20 pesquisadores, sob a coordenação do professor Osmar Malaspina, do Instituto de Biociências da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Rio Claro, no interior paulista. Além de Malaspina, o núcleo de pesquisa é composto pelas professoras Roberta Nocelli e Elaine Cristina da Silva Zacarin, ambas da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), e do professor Stephan Malfitano de Carvalho, da Universidade Federal de Uberlândia (UFU).
“Somos o primeiro grupo de pesquisa no Brasil a estudar a relação entre agrotóxicos e abelhas”, diz Malaspina. Ele pesquisa o tema desde o seu mestrado, na década de 1970, mas só a partir de 2000 voltou a se dedicar intensamente ao assunto em função de reclamações de apicultores que estavam perdendo abelhas após a aplicação aérea de inseticidas, principalmente para combater pragas que atacam os canaviais. “Essas perdas começaram a ser relatadas após a entrada de novos produtos no mercado”, relata.
Segundo Malaspina, 20 mil colônias de abelhas foram perdidas no estado de São Paulo entre 2008 e 2010; 100 mil em Santa Catarina apenas em 2011; e as estimativas apontam para perdas anuais de 40% de colmeias no Rio Grande do Sul e em Minas Gerais. Cada colônia ou colmeia tem, em média, 50 mil indivíduos. “As informações sobre as perdas foram passadas por apicultores, mas não sabemos a causa da morte, porque as abelhas podem morrer por vários fatores além dos inseticidas, como doença, manejo, seca extrema, entre outras variáveis.” Em alguns casos, como a de um apicultor do município de Boa Esperança do Sul, no interior de São Paulo, a relação entre causa e efeito ficou comprovada. “Em 2008, em uma terça-feira ele tinha 400 colmeias, na quarta houve uma aplicação aérea num local próximo e apenas um dia depois, na quinta, todas as abelhas estavam mortas”, diz Malaspina. O resultado de uma análise feita apontou que um inseticida neonicotinoide era o responsável pelas mortes.
Um dos estudos do seu grupo para avaliar o efeito dos agrotóxicos no organismo das abelhas é feito dentro do laboratório e em estufas que simulam as condições de colmeias. Resultados de testes feitos pelos pesquisadores apontam que os agrotóxicos atingem o sistema digestório e o cérebro das abelhas. Em casos mais graves, elas não conseguem se alimentar e morrem por inanição. Outros experimentos estão sendo feitos para avaliar de que forma esses insetos, quando conseguem sobreviver à intoxicação, são afetados. Esse conhecimento é importante para proteger a grande variedade de abelhas existente no Brasil, com cerca de 2 mil espécies descritas.
Além da preocupação com as perdas dos apicultores, existe o risco para as culturas que dependem delas para a polinização. O maracujá, por exemplo, só produz se for visitado pela mamangava, assim como a berinjela, o pimentão e outras espécies vegetais que, por terem flores mais fechadas, precisam de polinizadores específicos.
Fonte: http://revistapesquisa.fapesp.br
quarta-feira, 18 de junho de 2014
TECNOLOGIA: Cientistas descobrem novo mecanismo de percepção das abelhas
quinta-feira, 3 de abril de 2014
Aplicativo brasileiro vai monitorar o desaparecimento das abelhas
| Algumas regiões da Europa registraram o desaparecimento de 53% das abelhas - que são importantes para a agricultura (Stephane Mahe/Reuters) |
segunda-feira, 31 de março de 2014
"Malva Branca" a planta do mel
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| Malva Branca |
terça-feira, 17 de dezembro de 2013
Nova técnica permite criação em massa de abelhas sem ferrão
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| Abelha Mandaçaia em flor de Girassol |
sábado, 21 de setembro de 2013
Redução das colônias de abelhas representa ameaça aos seres vivos
| Sob ameaça: polinização das abelhas é vital
Nairóbi sedia debate sobre polinização para agricultura sustentável
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As abelhas estão entre os principais polinizadores do planeta. Sua extinção pode ameaçar também a sobrevivência do homem. Em algumas partes do mundo, estudiosos do assunto já confirmam a redução de colônias entre 30% e 70%, indício de que todas as espécies estão ameaçadas. Cientistas classificam o fenômeno da redução dessas populações de desordem de colapso da colônia (colony collapse disorder), significando sérios prejuízos para a biodiversidade, a produção de alimentos e a economia em geral.
Polinizadores, como as abelhas e outros insetos e animais, representam um dos mecanismos essenciais à manutenção e promoção da biodiversidade no planeta, pois é somente após a polinização que as plantas formam frutos e sementes, fontes da sua própria reprodução. A importância desses polinizadores será o tema do V Seminário de Política destinadas a Resolver as Carências de Polinização (Fifth Policy Workshop on Addressing Pollination Deficits), que acontecerá em Nairóbi, Quênia, de 23 a 25 de setembro de 2013.
DEPENDÊNCIA
De acordo com pesquisadores, mais de 75% das espécies agricultáveis que alimentam o mundo e muitas das plantas utilizadas pela indústria farmacêutica dependem da polinização para produzir frutos e sementes. Além disso, a manutenção da diversidade de polinizadores contribui para a manutenção da diversidade de alimentos e a qualidade de vida, em todos os seus estágios.
De acordo com a gerente de Projeto do Departamento de Conservação da Biodiversidade do Ministério do Meio Ambiente (MMA), Daniela América Oliveira, a reunião de trabalho, denominada "Fifth Policy Workshop on Addressing Pollination Deficits", será realizada no âmbito Programa das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) outros organismos multilaterais. O objetivo do seminário é avaliar a aplicação do protocolo sobre conservação e manejo de polinizadores para uma agricultura sustentável, numa abordagem ecossistêmica, que integra o Projeto Global de Polinização, atualmente em execução em sete países - Brasil, Gana, Índia, Quênia, Nepal, Paquistão e África do Sul.
CAPACIDADES
A oficina no país africano reunirá um pequeno grupo de pessoas envolvidas tanto na aplicação do protocolo de déficit de polinização quanto na tomada de decisão política dos países participantes, pessoas que trabalham com os povos indígenas, especialistas internacionais e em política. O seminário visa melhorar a interface ciência, política e conhecimento em serviços de polinização para ajudar os países executores do Projeto Global de Polinização, visando a aplicação de um protocolo que permita avaliar os déficits de polinização, desenvolvam capacidades para detectar tendências e indicações de déficits de polinização e facilitem a identificação, mapeamento, modelagem e análise de opções de ação em zonas atingidas por tais déficits.
O trabalho proposto permitirá a construção de capacidades de avaliação da interface ciência e política para um serviço ecossistêmico específico de relevância para o futuro trabalho do recém criado Painel Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços de Ecossistemas (IPBES). “Pretende-se, com este esforço, extrair lições aprendidas com a construção de uma interface ciência e política relacionada com serviços ecossistêmicos e acordos de cooperação entre instituições e países”, afirma Daniela Oliveira.
A Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB) estabeleceu a Iniciativa Internacional para Conservação e Uso Sustentável de Polinizadores com a finalidade de promover uma ação mundial coordenada. Entre os princípios estão objetivos como monitorar o declínio de polinizadores, sua causa e seu impacto sobre os serviços de polinização; suprir a falta de informações taxonômicas sobre polinizadores; avaliar os valores econômicos da polinização e do impacto do declínio dos serviços de polinização; e promover a conservação, restauração e uso sustentável da diversidade de polinizadores na agricultura e ecossistemas relacionados.
As iniciativas estão em andamento nos sete países selecionados pela FAO desde março de 2010, terá duração de cinco anos e um orçamento total de US$ 12 milhões (cerca de R$ 26,4 milhões), sendo US$ 3,5 milhões destinados ao Brasil para apoiar projetos de pesquisa em polinização e polinizadores de sete culturas agrícolas (algodão, caju, canola, castanha do Brasil, maçã, melão e tomate), com intensiva coleta de dados em campo, seguindo o protocolo déficit de polinização e de monitoramento de polinizadores definidos para o projeto global e adaptados localmente.
sexta-feira, 20 de setembro de 2013
quinta-feira, 19 de setembro de 2013
O envenenamento das abelhas
| Prestadoras de inestimáveis serviços ambientais, elas sucumbem a agrotóxicos, monocultura, manejo inadequado. Como viverá a humanidade se desaparecerem? |
Em sua recente participação no III Encontro Internacional de Agroecologia, em Botucatu (SP), a cientista indiana Vandana Shiva lembrou a tragédia que a levou a estudar o impacto da indústria química na agricultura: o vazamento de 42 toneladas de um gás letal na fábrica de pesticidas da Union Carbide em Bophal, na Índia, em 1984, causando a morte de três mil pessoas e sequelas permanentes em mais de 100 mil. O presidente da empresa norte-americana, Warren Anderson, teria fugido do país em avião do governo, dias depois, abandonando na fábrica toneladas de produtos químicos perigosos, entre eles DDT – que estão lá até hoje.
A origem da tragédia, lembra Vandana, está na chamada Revolução Verde, imposta pelos Estados Unidos em sua área de influência geopolítica nos anos 1960 para ampliar o mercado de produtos agrícolas e agroquímicos – fabricados a partir de armas químicas usadas na Guerra do Vietnã. O resultado desse modelo, o agronegócio, é conhecido: 65% da biodiversidade e da água doce do planeta contaminadas por agrotóxicos – caldo de cultura para a morte súbita e desaparecimento das abelhas melíferas, fenômeno batizado em 2006 de Colony Collapse Disorder (CCD), ou Desordem de Colapso da Colônia.
Prestadoras de inestimáveis serviços ambientais, as abelhas respondem pela polinização de 71 dos 100 tipos de colheita que alimentam e vestem a humanidade, segundo relatório da ONU de 2010. Às abelhas devemos, além do mel, do própolis e da cera – os aspargos, o óleo de canola e o de girassol, as fibras têxteis do linho e algodão e culturas utilizadas para forragem na produção de carne e leite, como a alfafa. A videira depende em parte do trabalho das abelhas e, com ela, a produção de vinhos. Em um mundo sem abelhas seriam impensáveis os cítricos, o abacate, o agrião… Em particular, a produção de maçãs, morangos, tomates e amêndoas.
Parece assustador – e é mesmo. A cultura de amêndoas, totalmente dependente da polinização das abelhas, é exemplo da dimensão do desastre: são hoje necessárias 60% das colmeias remanescentes nos Estados Unidos para polinizar as plantações do estado da Califórnia, responsáveis pela produção de mais de 80% das amêndoas no mundo. Nos últimos seis anos, a CCD dizimou cerca de 10 milhões de colmeias do país. A taxa de mortalidade das colônias é de 30% ao ano: das 6 milhões de abelhas existentes em 1947, restam hoje não mais que 2,5 milhões.
Desastre global. O declínio da população de abelhas foi notado em 2006, nos EUA. Quando a Europa acordou para o problema, em 2007, a CCD já atingia Alemanha, França, Itália, Espanha, Portugal. Ouviam-se notícias sobre o desastre no Canadá, Austrália, Brasil, e até mesmo o desaparecimento de 10 milhões de abelhas em Taiwan. “Sim, é um fenômeno global”, confirma Carlo Polidori, pesquisador do Museu Nacional de Ciências Naturais de Madri, na Espanha, onde as perdas chegam a 90%, em algumas regiões. As últimas notícias são de julho, na província canadense de Ontário, onde se perderam 37 milhões de insetos.
No Chile, onde até o ano passado a versão oficial era de que não havia evidências da existência da CCD, apicultores da região de BioBio registraram, em maio, a perda de milhões de abelhas. Como no Brasil, as chamadas externalidades negativas do modelo de exportação agroindustrial atingem em cheio o pequeno criador.
| A abandonada fábrica de pesticidas da Union Carbide em Bophal, na Índia |
No Brasil. Registros sobre mortalidade súbita de abelhas encontram-se no país desde 2007 – no Piauí, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Minas Gerais, São Paulo. Todos ligados à exposição de pesticidas nas cercanias de áreas de monocultura – de tabaco, soja, cana, milho, laranja. “Os laranjais, que já foram importante fonte de néctar para a produção de mel, são hoje perigosos, dada a quantidade de agrotóxicos usada para combater doenças como o greening”, afirma o geneticista David De Jong, doutor pela Universidade de Cornell (EUA) e professor da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto (SP).
Em Santa Catarina, em 2011, morreram por causas desconhecidas um terço das 300 mil colmeias existentes no estado. “Quem sente mais são as 30 mil famílias que dependem da produção de mel. Sua perda foi estimada em 6 mil toneladas”, afirma o presidente da Federação dos Apicultores e Meliponicultores do Estado, Nésio Fernandes de Medeiros. Na região de Dourados (MS), desapareceram no início deste ano cerca de 3,5 milhões de abelhas, produtoras de uma tonelada anual de mel. “Há forte suspeita de que foi provocada pela aplicação de um inseticida da classe dos neonicotinoides em um canavial”, considera Osmar Malaspina, professor da Unesp de Rio Claro (SP).
Não surpreende, assim, que nos últimos dois anos o Brasil tenha caído da 5a para a 10a posição no ranking mundial de exportadores de mel. “Menosprezamos o serviço ecológico que as abelhas nos prestam”, observa Afonso Inácio Orth, professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Já em 2011 se verificava a falta de abelhas para polinizar maçãs naquele estado. O mesmo ocorre com o pepino, o melão e a melancia. Por polinização insuficiente, além de nascerem frutos com formato e sabor alterados, tem havido perda de produção de laranja, algodão, soja, abacate, café. “Através de experiências controladas verificamos que, onde colocamos mais abelhas, aumenta a produção. Na cultura de maracujá estão tendo de polinizar com a mão, por falta de abelhas”, informa De Jong.
Causas. As causas propostas são diversas: inseticidas e fungicidas, déficit nutricional associado à carência de flora natural, mudanças climáticas, manejo intensivo das colmeias, baixa variabilidade genética, vírus, fungos, bactérias e ácaros – juntas ou separadamente. Até a emissão eletromagnética de celulares já foi investigada, sem resultados conclusivos. Mas o principal fator do desastre, concordam estudiosos, é a classe de agroquímicos denominada neonicotinoides: clotidianidina e imidacloprida, fabricados pela Bayer, e tiametoxan, da Syngenta – neurotoxinas que atingem o sistema nervoso dos insetos, prejudicando olfato e memória.
“Os pesticidas são causa de perdas importantes, com certeza”, afirma David De Jong.“Temos situações de toxicidade aguda, em que as abelhas morrem de uma vez, logo após a aplicação do agrotóxico. Mas há outras em que doses subletais podem fazê-las perder o rumo e não voltar ao ninho. Doses baixas de inseticidas também enfraquecem o sistema imunológico da abelha. O fato é que, com os novos inseticidas do grupo dos neonicotinoides, estamos definitivamente perdendo muitas abelhas Apis mellifera e espécies de abelhas nativas”, adverte o pesquisador.
A avaliação confirma pesquisa realizada na Universidade de Stirling, no Reino Unido, pela equipe do professor David Goulson. O estudo comprova que os neonicotinoides, associados a parasitas e à destruição de habitats ricos em flores que servem de alimento às abelhas, são as principais razões para a perda das colônias. “Abelhas mal nutridas parecem ser mais suscetíveis a patógenos, parasitas e outros estressores, inclusive toxinas”, confirma o relatório de 2012 do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA). De fato, boa nutrição é essencial para as abelhas: o avanço das monoculturas tem para elas um efeito devastador.
O presidente da Confederação Brasileira de Apicultores (CBA) e da câmara setorial do mel em Brasília, José Cunha, revela que “esses agrotóxicos são sistêmicos. A planta se desenvolve e o produto tóxico vai para seiva, pólen, néctar, permanecendo no solo durante anos. Mesmo na rotação de culturas continua presente, atingindo o lençol freático. Os polinizadores estão pagando um preço muito alto, é um passivo ambiental incalculável”. Para Suso Asorey, secretário da Associação de Apicultores Galegos (AGA), “a colocação no mercado destes pesticidas neurotóxicos sistêmicos coincide com perdas de até 40% das colmeias.”
Estudo da Universidade de Maryland e do USDA chega a resultados ainda mais graves. Ao contaminar o pólen, misturas de pesticidas e fungicidas, algumas de até 21 tipos, levam as abelhas a perder a resistência ao parasita Nosema ceranae, relacionado à CCD. “A questão é mais complexa do que fomos levados a crer”, afirma Dennis van Engelsdorp, responsável pela pesquisa. “O fato de não ser um só produto significa que a solução não está em proibir apenas um tipo de agroquímico, mas que é necessário rever as práticas de pulverização agrícola”, diz ele. O Greenpeace lançou em abril o relatório Bees in Declive, no qual afirma ser crucial eliminar o uso dos agroquímicos que afetam as abelhas.
No Chile, os apicultores relacionam a mortandade dos insetos à aplicação de inseticidas já proibidos em outros países, mas que lá continuam legais – e também ao uso, como alimento das abelhas, de frutose e vitaminizadores feitos com milho transgênico.
Proibição. O que dizer do Brasil, campeão mundial no consumo de agrotóxicos, com mais de um milhão de toneladas anuais – sem contar o que é contrabandeado? Sob forte pressão do agronegócio e da indústria química, o Ibama e o Ministério da Agricultura (Mapa) proibiram o uso de agrotóxicos contendo fipronil (um pirazol) e três neonicotinoides, imidacloprido, clotianidina e tiametoxam, apenas durante o período de floração das culturas.
E só depois da interdição do uso dos neonicotinoides na Itália, França, Alemanha e Eslovênia, e de muito hesitar, é que a Comissão Europeia resolveu não ceder ao lobby da indústria e, também em abril, restringir o uso desses agroquímicos por dois anos, em todo o continente. A guerra pela salvação das abelhas está, portanto, bem longe de terminar.
Sociedade de abelhas. Existem cerca de 20 mil espécies de abelhas, entre elas as melíferas, das quais cerca de 15% são insetos sociais, com forte sentido coletivo, que vivem em colônias em torno da rainha. Há as guardiãs do ninho, as que se especializam em cuidar dos ovos e filhotes, e os que se encarregam de trazer alimentos – néctar e pólen – para a produção de mel.
Cada indivíduo é um prodígio da engenharia biológica: está equipado com sensores de temperatura, dióxido de carbono e oxigênio. Seu corpo, carregado de eletricidade estática, atrai grãos de pólen que elas levam de uma flor a outra, fertilizando-as. O fenômeno tem dimensões extraordinárias, quando examinamos o trabalho coletivo. Em um único dia, uma colmeia pode fertilizar milhões de flores, numa área correspondente a 700 hectares, equivalente a 350 campos de futebol.
Amor incondicional. Mel, pólen, própolis, geleia real são produtos do trabalho da abelha melífera que nos servem de alimento e medicina. O veneno, embora possa ser mortal, é também curativo. Na Coréia do Sul, por exemplo, os insetos são colocados diretamente no corpo, nos pontos de acupuntura, em tratamentos para artrite, reumatismo e esclerose múltipla.
Para o xamanismo, cada espécie tem um espírito grupal, e esses espíritos animais integram a consciência coletiva de todas espécies, inclusive a nossa. A abelhas possuem um sofisticado sistema de comunicação, e sua vida é inteiramente identificada com o coletivo. Seriam guias da humanidade na comunicação, organização e fortalecimento das comunidades. Para o espiritismo, são exemplo de desapego e amor incondicional. Um blog espírita português propõe fazer “um zumbido global gigante” para banir os agrotóxicos da Europa, assinando uma petição.
“As abelhas são seres cuja energia primordial é o amor e, por isso, completamente isentas de medo. Tudo o que produzem é fruto dessa energia … O mel é algo que poderíamos chamar de ‘amor líquido’ e seu uso pelos seres humanos deveria ser feito em profunda reverência”, afirmam os adeptos da Comunidade Figueira, do líder espiritual Trigueirinho, em Minas Gerais.
Habitantes da Terra há mais de 60 milhões de anos, as abelhas são um dos sistemas mais importantes de suporte à vida, e revelam a íntima interdependência entre os reinos animal, vegetal e humano. Citação atribuída a Einstein que circula na internet sugere que, se elas desaparecessem hoje do planeta, a humanidade só sobreviveria por mais quatro anos. Não por acaso, sua morte é conhecida nos EUA como Armagedon das abelhas.
segunda-feira, 9 de setembro de 2013
Sumiço de abelhas derruba exportações de mel do Brasil
| Seca no Nordeste diminuiu exportação brasileira de mel em 25%, de acordo com Etene |
| Ibama investiga ação dos agrotóxicos neonicotinóides e seus efeitos sobre o organismo das abelhas |

